
0 Os cinco capítulos referem-se aos cinco elementos. 1 - Terra; 2 - Ar;
3 - Água; 4 - Fogo; 5 - Espírito. Cada capítulo mostra seu Elemento à
Luz da relação entre o Adepto Menor e seu Sagrado Anjo Guardião. Assim,
no Capítulo 1, o mundo material, ou aspecto sensível da Natureza, é
demonstrado ser a mera pintura simbólica de algo completamente diverso.
CAPÍTULO 1
1. Eu sou o Coração; e eis a Cobra enroscada Da mente em volta ao cór do qual não se vê nada. Ó minha cobra, sobe! Está chegada a hora Da flor velada e santa. Ó minha cobra, aflora! Sobe com esplendor que fulge e que retumba No cadáver de Asar que flutua na tumba! Tu és jogado ao Nilo; Tifon, ele é teu! Ah me! Porém a glória e fúria da tormenta Enfaixa-te de força, em forma te acalenta. Aquieta-te, Ó minhalma! a fim que suma o encanto Ao erguer dos condões; findo aeon; novo, e santo! Vê! que belo que sou, que alegre assim Te faço, Ó cobra que me envolves no tempo e no espaço! Vê! nós somos um só, e o vendaval de arroube Vai, desce no poente, e o Escaravelho sobe. Ó Khephra! Teu zumbido, a nota pura e santa, Seja sempre o só transe e voz desta garganta! Eu aguardo a alvorada! O chamado do Pai, O Senhor Adonai, o Senhor Adonai!
1. Invocação de Kundalini. O Adepto "morre" para o mundo material e floresce como um Lotus. Ele cessa; e entra no silêncio da meia-noite, onde adora Khephra. Então ele aguarda a chegado do seu Senhor.
2. Adonai falou a V.V.V.V.V., dizendo: Deve haver sempre divisão na palavra.
3. Pois as cores são muitas, mas a luz é uma.
4. Portanto tu escreves aquilo que é esmeralda-mãe, e de lápis-lazuli, e de turqueza, e de alexandrita.
5. Outro escreve as palavras de topázio, e de profundo ametista, e de safira cinza, e de profundo safira com um toque como que de sangue.
6. Portanto vós vos afligís por causa disto.
7. Não vos contenteis com a imagem.
8. Eu que sou a Imagem de uma Imagem digo isto.
9. Não discutais a imagem, dizendo Além! Além!
Sobe-se à Coroa pela Lua e pelo Sol, e pela seta, e pelo Fundamento, e
pelo escuro lar das estrelas partindo da terra negra.
10. Não de outra forma podeis vós atingir a Ponta Polida.
11. Nem está bem que o sapateiro tagarele o assunto Real. Ó sapateiro! conserta-me este sapato, para que eu possa andar. Ó rei! se eu for teu filho, falemos da Embaixada do Rei teu irmão.
2-11 O Anjo diz: Cada homem vê a Natureza à sua maneira. O que ele vê é apenas uma imagem. Todas as imagens devem ser ignoradas; o Adepto deve aspirar de todo coração à Ponta Polida. Este assunto não pode ser discutido em linguagem vulgar; o rei tem que falar dos assuntos da realiza de uma maneira soberana.
12. Então houve silêncio. A fala nos deixara por algum tempo.
12. Silêncio. O Adepto registra as suas impressões. O grau máximo de qualquer tipo de energia sobrepassa o poder receptivo do obervador. Parece então como se fosse energia de alguma outra ordem.
13. O acônito não é tão agudo quanto o aço; no entanto, fere o corpo mais sutilmente.
13. Quanto mais sutil a forma de energia, tanto mais potente, mas menos fácil de obervar.
14. Tal como beijos malignos corrompem o sangue, assim minhas palavras devoram o espírito do Homem.
14. A verdade destrói a razão.
15. Eu respiro, e há infinito desassocêgo no espírito.
16. Como um ácido rói o aço, como um câncer que corrompe por completo o corpo, assim sou Eu para o espírito do homem.
16. O Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião dá uma nova e mais alta forma de energia que destrói os tipos mais grosseiros de existência.
17. Eu não descansarei até que o tenha dissolvido todo.
17. O processo continua até ser completado.
18. Assim também a luz que é absorvida. Um absorve pouca, e é chamado branco e reluzente; um absorve toda e é chamado negro.
18. Fenômenos resultam de resistência ao "amor". A união perfeita é silenciosa.
19. Portanto, Ó meu querido, tu és negro.
19. V.V.V.V.V., tendo alcançado em perfeição o Grau de Adeptus Minus, parece maligno.
20. Ó meu lindo, Eu te tornei semelhante a um retinto escravo núbio, um menino de olhos tristes.
20. (Ele aparenta ser um escravo "do diabo", e de sofrer sob uma maldição "divina" - NOta de M.).
21. Ó o cão! o imundo! eles gritam contra ti. Porque tu és meu bem-amado.
21. (Os iniciados de graus inferiores temem e desprezam o Adeptus Minus - Nota de M.)
22. Felizes aqueles que te elogiam; pois eles te vêem com Meus olhos.
22. Aqueles que compreendem todo este trabalho elogiam V.V.V.V.V.
23. Não em voz alta eles te elogiarão; mas na guarda noturna um se aproximará furtivamente e te dará o aperto secreto; outro em privado te coroará com uma coroa de violetas; um terceiro ousará grandemente, e beijará com lábios loucos os teus.
24. Sim! a noite cobrirá tudo, a noite cobrirá tudo.
23-24. Eles o fazem de modos secretos.
25. Tu Me procuraste longamente; tu correste tanto avante que Eu não pude te alcançar. Ó meu querido tolo! de que amargura te coroaste os dias.
25. Perdurabo impediu seu próprio sucesso pela sua ânsia exagerada.
26. Agora Eu estou contigo; Eu jamais deixarei o ter ser.
27. Pois Eu sou aquela macia, sinuosa, enroscada em volta tua, coração de ouro!
26-27. A união quando feita é permanente.
28. Minha cabeça está adereçada com doze estrelas; Meu corpo é branco como leite das estrelas; brilha com o azul do abismo de estrelas invisível.
28. O Anjo está coroado com o Zodíaco. Seu corpo é o de Nuit.
29. Eu achei aquilo que não podia ser achado; Eu achei um vaso de mercúrio.
29. A estabilidade foi achada na base de uma mudança contínua.
30. Tu instruirás teu servo em seus caminhos, tu falarás muito com ele.
30. Parece uma injunção ao Sagrado Anjo Guardião para que se mantenha em contato constante com o Adepto.
31. (O escriba olha para cima e grita) Amém! Tu o disseste, Senhor Deus!
31. O Adepto aceita isto como uma promessa definida.
32. Adonai falou mais a V.V.V.V.V. e disse:
33. Deleitemo-nos na multidão dos homens!
Construamos deles um bote de madrepérola para nós, a fim de navegarmos no rio de Amrit!
32-33. Proposta de encarar o mundo fenomênico do novo ponto de vista.
34. Tu vês aquela pétala de amaranto soprada pelo vento das baixas, doces sobrancelhos de Hathor?
35. (O Magister viu-a, e regozijou-se na beleza dela.) Escuta!
36. (De um cert mundo veio um lamento infinito.)
Aquela pétala caindo pareceu aos pequeninos uma onda para engolir seu continente.
34-36. Dois pontos de vista, tal como o sorriso de uma moça é morte para muitas células do seu corpo.
37. Assim eles recriminarão teu servo, dizendo: Quem te encarregou de nos salvar?
37. Isto explica por que os homens ressentem o seu salvador. Eles interpretam seus atos como destrutivos.
38. Ele sofrerá muito.
38. Ele em sua mente humana se entristece com isto.
39. Todos eles não compreendem que tu e Eu estamos fazendo um bote de madrepérola. Nós desceremos o rio de Amrit até os bosques de teixos de Yama, onde podemos nos regozijar extremamente.
40. A alegria dos homens será o nosso brilho prateado, a tristeza deles será o nosso brilho azulado - tudo na madrepérola.
39-40. Mas a relação toda é ilusória. Na realidade, o Anjo e o Adepto estão simplesmente se preparando para partir juntos pela eternidade; o Trabalho do Adepto de redenção da Humanidade é apenas uma imagem vista enquanto ele prepara a sua madrepérola.
41. (O escriba se enraiveceu com isto. Ele disse:
Ó Adonai e meu mestre, eu tenho carregado o tinteiro e a pena sem salário, a fim de que eu pudesse buscar esse rio de Amrit, e navegar nele como um de vós. Isto eu exijo como paga, que eu partilhe do eco de vossos beijos.)
41. A mente humana exige que a aliviem da dor de ver a Natureza sob este aspecto, alegando que tem servido os Mestres com devoção sem egoísmo.
42. (E imediatamente lhe foi isto concedido.)
43. (Não; mas não com isto ele se contentou. Por um infinito rebaixamento em vergonha ele se esforçou. Então uma voz:)
43. A mente exige completo alívio.
44.Tu te esforças sempre; mesmo em te entregando tu te esforças por entregar-te - e vê! tu não te entregas.
45. Vai aos lugares mais externos e submete todas as coisas.
46. Submete teu medo e teu desgosto. Então - entrega-te!
44-46. O método. Conhece tudo que é possível, torna-te indiferente a tudo. Isto feito, torna-te perfeitamente passivo.
47. Houve uma virgem que andava a esmo no trigal, suspirando; então nasceu algo novo, um narciso, e nele ela.
48. No mesmo instante Hades se abateu sobre ela e possuiu-a e a levou.
47-48.
Persephone, a alma presa à terra. Trigo - sustento material; o
resultado é sofrimento. Narciso - o instinto sexual florescendo como
Beleza.
No instante em que a alma esquece o "trigo" e deseja a
flor, Hades vem e carrega com ela.. Hades é o senhor do "Inferno", isto
é, a Alma escura, secreta, porém divina dentro de cada homem e cada
mulher. O estupro portanto significa que o desejo de beleza acorda o
subconsciente, o qual toma posse da Alma e a entroniza, permitindo-lhe
volta à terra (Conhecimento do mundo material) somente em certa
ocasiões, para atender ao bem estar da humanidade.
49. (Então o escriba conheceu o narciso em seu coração; mas como não lhe subia aos lábios, ele envergonhou-se e se calou.)
49. Eu fui tomado por um impulso de adorar a Beleza, e senti vergonha da minha incapacidade de escrever na mesma hora um poema que fosse digno do tema.
50. Adonai falou uma vez ainda com V.V.V.V.V. e disse:
A terra está madura para a vindima; comamos de suas uvas, e embriaguemo-nos com elas.
50. O Anjo convida o Adepto a regozijar-se em certos acontecimentos que estão a ponto de ocorrer na terra.
51. E V.V.V.V.V. respondeu e disse: Ó meu senhor, meu pombo, meu excelso, como parecerá esta palavra às crianças dos homens?
51. O Adepto duvida que sua doutrina venha a ser retamente compreendida pela humanidade.
52. E Ele respondeu-lhe: Não qual podes ver. É certo que cada letra desta cifra tem algum valor; mas quem determinirá o valor? Pois varia sempre, de acordo com a sutileza d'Aquele que a fez.
52. O Anjo concorda; mas é ainda mais cético que o Adepto, sugerindo que qualquer evento pode ser interpretado como significando qualquer coisa que a gente queira.
53. E Ele respondeu-lhe: Não tenho Eu a chave da cifra?
Eu estou vestido com o corpo de carne; Eu sou um com o Eterno e Onipotente Deus.
53. O Adepto protesta que é capaz de interpretar fenômenos corretamente; que existe uma relação particular que é verdadeira, e que todas as outras são falsas. Ele lembra ao Anjo que ele se percebe a Si Mesmo (como um Ente único sempre idêntico a Si Mesmo) tanto na mais baixa matéria quanto no mais elevado espírito.
54. Então disse Adonai: Tu tens a Cabeça do Falcão, e teu Falo é o Falo de Asar. Tu conheces o branco, e tu conheces o negro, e tu sabes que estes são um. Mas por que buscas tu o conhecimento da equivalência deles?
54. O Anjo pergunta por que alguém que possui absoluta Visão, Senhorio e poder de subir (a Cabeça do Falcão), que possui energia criadora capaz de fertilizar a Natureza, sua mãe, irmã e esposa (o Falo de Asar), alguém que conhece os pares de opostos e o fato de sua identidade, se preocupa em calcular as equações que expressam as relações entre os ilusórios símbolos de diversidade.
55. E ele disse: Para que minha Obra possa ser correta.
55. O Adepto replica que ele precisa compreender as leis da ilusão para poder trabalhar no mundo de ilusão.
56.
E Adonai disse: O segador forte e moreno varreu a sua ceifa, e
regozijou-se. O homem sábio contou seus músculos, e ponderou, e não
compreendeu, e ficou triste.
Seja tu, e regozija-te!
56.
O Anjo replica que tais cálculos levam a gente a acreditar na realidade
das ilusões, a atrapalhar-se com suas complexas falsidades, e
finalmente, a abster-se de agir por medo de errar; quando na realidade
não tem importância o que a agente faz, pois uma ilusão serve tanto
quanto qualquer outra. O dever do Adepto é executar seu Trabalho viril
e alegremente, sem ânsia de resultado ou medo de acidentes. Ele deve
exercer por completo as suas faculdades; o livre e espontâneo
funcionamento dessas faculdades é suficiente justificativa.
Tornar-se cônscio da atividade de qualquer órgão é prova de que o órgão em questão não está funcionando bem.
57. Então o Adepto alegrou-se, e levantou seu braço. Vede! um terremoto, e praga, e terror sobre a terra! Uma queda daqueles que sentavam em lugares elevados; uma fome sobre a multidão!
57. O Adepto aceita o conselho e exerce seu poder. O aparente resultado de sua Obra é desastre.
58. E a uva caiu madura e rica em sua boca.
50-58. Uma longa parábola em diálogo.
58. Mas a idéia toda do Adepto da sua relação de Redentor para com a humanidade é verificada ser uma fantasmagoria. A verdade é que ele "comeu uma uva", isto é, começou a saborear o banquete que seja Anjo propôs no Verso 50. (Veja-se CCXX, I, 31.)
59. Manchada está a púrpura da tua boca. Ó brilhante, com a glória branca dos lábios de Adonai.
59. Todo ato do Adepto é na realidade o beijo do seu Anjo.
60. A espuma da uva é como a tormenta sobre o mar; os navios tremem e sacodem-se; o capitão está com medo.
60. O êxtase da relação do Adepto com o seu Anjo dispersa pensamentos "normais"; o Ego receia perder controle da mente. Isto, naturalmente, ocorre em um plano menos real, o plano normal de consciência. O receio do Ego é justificado, pois este êxtase conduzirá a uma situação em que a aniquilação do Ego será decretada para que o Adepto possa cruzar o Abismo e tornar-se um Mestre do Templo. Lembre-se de que o Ego não é realmente o centro e coroa do indivíduo; de fato, a dificuldade toda parte do falso conceito que o Ego tem de sua importância.
61. Isso é a tua embriaguês, Ó santo, e os ventos rodopiam a alma do escriba para dentro do porto feliz.
61. O êxtase do Conhecimento e da Conversação do Sagrado Anjo Guardião traz paz à "alma do escriba" (sua mente consciente) pelo processo de imprimir uma tal energia aos seus pensamentos que o conflito normal entre eles (que causa a dor) torna-se insignificante, tal como os antagonismos pessoais de um regimento de cavalaria são esquecidos no ardor de uma carga.
62. Ó Senhor Deus! que o porto caia na fúria da tormenta!
Que a espuma da uva tinja minha alma com Tua luz!
62. Mas a mente, savendo que as velhas brigas recomeçarão assim que passe o êxtase, pede que esta anestesia seja removida. A mente aspira a entrar no êxtase com todos os elementos do seu ser, não importa com que dor. A mente sabe que não pode estar realmente contente até que cada fibra individual vibre harmoniosamente naquele supremo encanto.
63. Bacchus envelheceu, e foi Silenus; Pan sempre foi Pan, para sempre e sempre mais, através dos aeons.
63. A mente sabe que os tipos mais baixos de embriaguês eram apenas excitações, as quais terminam em estupor e senilidade. A mente exige a loucura de Pan, a ereção de cada partícula de seu ser em um só símbolo que inclua Tudo. Este símbolo deverá combinar a inteligência (oniciência) do Homem com a onipotência tipificada por chifres, e a raptura criadora do Bode pulando. Este Pan não está embriagado, mas completamente louco, estando além da discriminação (Conhecimento) porque inclui tudo em si mesmo; igualmente, ele é imune aos assaltos do tempo, uma vez que tudo que acontece só pode acontecer dentro dele; isto é, todos os acontecimentos são igualmente o exercício das funções dele, e portanto são acompanhados por êxtase, já que Ele incluiu todas as possibilidades em Sua unidade, de forma que toda mudança é parte da sua vida, um ato de amor sob vontade.
64. Intoxica o mais íntimo., Ó meu amante, não o mais externo.
64. Presumivelmente isto é uma vez mais a voz do Anjo. Ele aconselha o Adepto a prestar menos atenção no futuro à transmutação de impressões grosseiras em rapturas de união. A obra maior é fazer com que a Mente Inconsciente se interpenetre com o Anjo. Pois este é o Sacramento definitivo. O Adepto corre perigo de se contentar com a alegria consciente de fazer com que justamente esses pensamentos que tem sempre sido causa de erro brilhem com esplendor e pureza ao toque do Anjo. Mas é muito mais importante renunciar a estas recompensas, se bem que elas sejam inefavelmente santas e deliciosas, e lançar-se ao trabalho de aperfeiçoar o Ente mais íntimo, purificá-lo de personalidade e uní-lo ao Universo, ainda que esta Consecução seja demasiado profunda para ser experimentada diretamente na mente consciente.
65. Assim foi - sempre o mesmo! Eu mirei à baqueta pelada de meu Deus, e eu atingi,; sim, eu atingi.
65. Em um código secreto o Adepto afirma que ele é (por assim dizer) do mesmo sexo que o seu Anjo. Não se trata aqui da união de opostos para produzir um tertium quid, mas uma realização de identidade, como o retorno à consciência após delírio, cujo êxtase não produz fruto envolvendo novas responsabilidades, novas possibilidades de sofrimento; é completamente auto-suficiente, sem passado nem futuro. A "baqueta pelada" é a Energia criadora do Anjo, despojada de todos os véus, apontando ao Zênite, pronta e impetuosa por agir. O Adepto exclama com alegria que ele aspirou a unir-se a esta idéia, e foi bem sucedido.
...........
Assim
conclui a descrição das relações do Adepto com o seu Anjo no que
concerne ao elemento Terra, o aspecto concreto e manifestado da
Natureza. A ilusão foi completamente destruída; o pão tornou-se o corpo
de Deus. No entanto, esta é apenas a forma mais baixa de existência; no
capítulo seguinte compreenderemos como a mente - qual distinguida do
assunto dos pensamentos - é concentrada e santificada pela Magia do
Adepto.
CAPÍTULO 2
O primeiro capítulo descreve o efeito produzido pelo Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião sobre a aparência das coisas e as sensações que essa aparência causa. É a transmutação do elemento Terra e da parte da alma que lhe corresponde, o Nephesch. Agora trata-se do elemento Ar, as faculdades da alma chamadas Ruach, isto é, a mente considerada como um instrumento de apreensão intelectual, uma máquina apropriada para a análise de impressões e interpretações destas em termos do pensamento consciente. O Trabalho de obtenção de Conhecimento e da Conversação do Sarado Anjo Guardião estando localizado em Tiphereth, o centro do Ruach, o resultado do sucesso é a harmonização, concentração e glorificação da mistura de idéias soltas e desconexas que são sugeridas pela multiplicidades sem significação das concepções mentais.
1. Eu entrei na montanha de lápis-lazuli, mesmo como um falcão verde entre os pilares de turqueza que está sentado sobre o trono do Oriente.
1. Descreve a passagem da Consciência Divina (o Falcão) colorida por amor (verde) para dentro do mundo do espaço estrelar (lápis-lazuli, pedra que é azul com pontos de ouro), seguindo um curso equilibrado desde a terra até o céu (os pilares de turqueza). O Oriente é o canto atribuído ao Ar, e o Falcão está ali sentado - isto é, estabilizado, não sendo distraído por quaisquer pensamentos que surgem na mente.
2. Assim cheguei a Duant, a habitação das estrelas, e ouvi vozes que gritavam alto.
2. Estado agora aberta ao Universo inteiro, a Alma escuta o que quer que seja dito. (Ar é o veículo do som.)
3. Ó Tu sentes sobre a Terra! (assim me falou uma certa Figura Velada) tu não é maior que tua mãe! Tu grão de pó infinitesimo! Tu és o Senhor de Glória, e o cão imundo.
3. Uma "Figura Velada" (Isis) explica que nenhuma consciência individual pode ser mais que a esfera de que nasce e que constitui o seu ambiente. É igualmente suprema e vil, estas qualidades sendo ilusões produzidas de relações artificiais, as quais podem ser escolhidas à vontade.
4. Descendo, mergulhando minhas asas, eu cheguei às habitações de escuro esplendor. Lá, naquele abismo informe, fui eu feito um comungante dos Mistérios Invertidos.
4. A Divindade, para se realizar a si própria, deve voluntariamente submeter-se à experiência da imperfeição. Deve tomar o Sacramento que a une ao escuro glamour do 'Mal', a contraparte do qual exalta o 'Pecador' à Divindade.
5. Eu sofri o abraço mortal da Cobra e do Bode; eu prestei a homenagem infernal à vergonha de Khem.
5. Ela aceita a fórmula de:
a) Dualidade, isto é, vida de vibração; (a1) Norte; (a2) a ilusão do Conhecimento.
b) Exílio; (b1) a Fome de Ardor; (b2) Trabalho. Ela aquiesce à vergonha de ser um Deus oculto em forma animal.
6. Nisto havia esta virtude, que o Um tornou-se o todo.
6.
O objetivo deste ato é realizar as possibilidades da nossa unidade
através da representação de sua integridade como um número infinito de
casos particulares, tal como alguém poderia tentar obter uma idéia do
significado da palavra 'poesia' pelo estudo de todos os poemas
existentes.
Nenhum poema por si só poderia ser mais que uma
ilustração imperfeita da idéias abstrata de 'poesia'; no entanto,
somente através dessas imagens concretas se pode alcançar alguma
compreensão do que a palavra significa.
7. Além disto, eu tive a visão de um rio. Nele havia um botezinho; e neste, sob velas de púrpura, estava uma mulher dourada, uma imagem de Asi lavrada do ouro mais fino. Também, o rio era de sangue, e o bote de aço brilhante. Então eu a amei; e, desatando meu cinturão, atirei-me à correnteza.
8. Eu recolhi-me ao botezinho, e durante muitos dias e noites a amei, queimando lindo incenso diante dela.
8. Ele se identifica com o consciente puro, imune ao curso do Pensamento, no entanto flutuando nesse curso, e se devota a este Ideal, com fervor poético e religioso.
9. Sim! Eu lhe dei da flor da minha juventude.
9. Ele consagra a sua energia criadora ao Ideal
10. Mas ela não se moveu; apenas, pelos meus beijos eu a conspurguei tanto que ela enegreceu perante mim.
10. Este processo destrói a beleza superficial do Ideal. Sua pureza é correspondida pelo contato da mortalidade.
11. Entretanto eu a adore, e dei-lhe da flor da minha juventude.
11. A despeito do seu desapontamento, o Aspirante persistem em 'amor sob vontade'. Ele se dá completamente à Verdade, mesmo agora quando ela parece tão escura e medonha.
12. Também aconteceu que através disto ela adoeceu, e corrompeu-se diante de mim. Quase eu me atirei à correnteza.
12. O Ideal agora se decompõe em formas repulsivas, não mais reconhecíveis como o objeto do amor dele. O Aspirante é tentado a abandoná-la, e a buscar refúgio do Consciente afogando-se nesses pensamentos que o rodeiam, e que contínuamente tentam a atenção dele.
13. Então, no fim do mercado, seu corpo era mais branco que o leite das estrelas, e sua boca rubra e quente como o ocaso, e sua vida de um branco em braza como o calor do sol do meio-dia.
13. Esse
desespero subitamente se desfaz. Seu ideal aparece em sua verdadeira
forma, uma mulher vivente em vez de uma imagem de ouro inanimada. A
substância dela é a gora mais pura que a luz das estrelas; seus lábios
- o instrumento da sua fala e das suas carícias - são cheios de vida e
calor como o ocaso - isto é, eles prometem repouso, amor e Beleza
(Rathor, deusa do Oeste).
Ela está viva com a pura energia do
centro do sistema ao qual o Aspirante pertence: isto é, ela é a
realização da idéia criadora de que até agora ele havia sido apenas uma
parte.
14. Então ela se ergueu do abismo de Idades de Sono, e seu corpo me abraçou. Eu me derreti por completo em sua beleza, e alegrei-me.
14. A escuridão do passado desaparece quando seu Ideal possui o Aspirante; e seu Ego se dissolve no êxtase de união com ela; ele se torna a essência de toda Alegria.
15. Também o rio tornou-se o rio de Amrit, e o botezinho era a carruagem da carne, e suas velas o sangue do coração que me carrega, que me carrega.
15. Agora então mesmo os pensamentos do Aspirante se tornam imortais; sua consciência é compreendida como o veículo da sua vida física - em vez de vice-versa, como supõem os profanos. Suas paixões já não são idênticas com a vida individual dele. Assim, não há conflito com a Natureza. A Vontade é ela mesma o Ente.
16. Ó mulher serpente das estrelas! Eu, mesmo eu, Te fiz de uma pálida imagem de ouro fino.
7-16.
O rio é a corrente de pensamento. O bote é o consciente. As velas de
púrpura são as paixões que dirigem o curso do consciente, e a mulher é
o ideal puro que procuramos fazer o ocupante constante e o guia da
nossa vida consciente. Esta 'mulher', se bem que feita de ouro, é
apenas uma imagem sem vida. O rio é de sangue; isto é, a corrente dos
pensamentos deve ser identificada com objeto de nossa vida, não ser o
mero campo de reflexão de toda impressão casual.
O bote é de aço;
isto é, a consciência deve ser capaz de resistir à intrusão de todo
pensamento indesejado. Amando este ideal, o Aspirante se livra de tudo
que o prende (vergonha, egoísmo, etc... - 'desatando o cinturão')
16. Minha concepção pessoal de Nuit é o resultado da Operação de Magia que eu executei para dar vida ao ideal que originalmente eu tinha em meu coração, adore, e resolvi realizar. A passagem inteira descreve a maneira de se lidar com qualquer idéia de forma a realizá-la em perfeição.
17. Também o Santo veio sobre mim, e eu vi um cisne branco flutuando no azul.
17. O cisne é a Consciência estática do Adepto. Está pousado no espaço infinito, suportado pelo Ar - i.e., o campo de propagação do pensamento.
18. Entre suas asas eu me sentei, o os aeons fugiram.
18. No Êxtase, o tempo não conta.
19. Então o cisne voou, e mergulhou, e subiu; no entanto não fomos alhures.
19. O Êxtase move-se de uma sublimidade de Dita a outra; mas não há progresso possível para a perfeição, portanto não existe fito a ser alcançado em tais movimentos.
20. Um meninote louco que montava comigo falou ao cisne e disse:
20. O meninote é a razão humana, que exige mensuração como condição primária de consciência intelegível. Sabendo que o tempo está passando, ele não pode compreender por que este movimento todo não acercou o cisne de algum ponto fixo, ou por que a relação entre o ponto de partida e a presente posição do cisne não é um constante motivo de ansiedade para este. O meninote não pode compreender movimento sem referência a coordenadas fixas.
21. quem és tu que flutuas e voas e mergulhas e sobes no inano? Vê, todos estes aeons passaram; de onde vens tu? Aonde vais?
22. E rindo eu lhe ralhei, dizendo: Não há de onde! Não há aonde!
22. Eu replico que, apreendendo o contínuo (Nuit) como tal, não existem "Marcas-no-Espaço".
23. O cisne não falando, ele respondeu: Então, se não há fito, para que esta jornada eterna?
23. O cisne, naturalmente, permanece em silenciosa: o Êxtase transcende expressão. A razão pergunta o motivo de movimento sem destino.
24. E eu reclinei minha cabeça contra a Cabeça do Cisne, e ri-me, dizendo: Não há alegria inefável neste vôo sem fito? Não há cansaço e impaciência para quem quereria alcançar algum alvo?
24. O Adepto, aproximando seu pensamento ainda mais do Êxtase, ri, tanto de pura alegria quanto porque acha graça na absurda incongruidade de argumentos "razoáveis" dos quais ele está agora livre para sempre; e expressa a sua idéia assim: O livre exercício de nossa faculdades é pura alegria; se eu sentisse necessidade de alcançar algum objetivo, isto resultaria na dor do desejo, na tensão do esforço, e no medo de fracasso.
25. E o cisne permaneceu silente. Ah! mas nós flutuamos no infinito Abismo. Alegria! Alegria! Cisne branco, sustenta-te sempre entre as tuas asas!
25. Mas o diálogo fez com que o Adepto refletisse mais profundamente sobre a sua dita, de forma que o Êxtase se torna imóvel, percebendo sua perfeita relação com a Infinidade do contínuo. O Adepto requer que o êxtase seja constante.
26. Ó silêncio! Ó raptura! Ó fim das coisas visíveis e invisíveis! Tudo isto é meu, que Não sou.
26.
Silêncio dá termo à imperfeição implícita na linguagem humana - todas
as palavras sendo evidências de dualidade, uma quebra na Perfeição.
Raptura: fim do conflito entre quaisquer duas coisas: elas são
dissolvidas por Amor; e perdendo o senso do Ego que causa a dor do
sentimento de sua separação do Todo, sua imperfeição, a dissolução do
esforço é expressada como raptura.
'Ó fim das coisas visíveis e
invisíveis!' Isto não só significa que todas as coisas - sendo
imperfeitas - são destruídas, mas que este é o verdadeiro fim - Teass -
das coisas - sua perfeição. 'Tudo isto é meu, que Não sou.' O Adepto é
agora proprietário de todas as coisas, tendo chegado ao estado chamado
'Não' que contém todas elas, e do qual elas são somente imagens.
Enquanto ele era um Ego positivo, ele era uma delas, e oposto a elas;
elas não lhe pertenciam. Para fazê-las suas, ele deve tornar-se o
contínuo em que todas as coisas existem potencialmente como membros de
qualquer série que seja selecionada para ilustrar quaisquer
propriedades desejadas da sua Natureza.
27. Deus Radiante! Deixa que eu faça uma imagem de ouro e gemas para Ti! para que o povo possa derrubá-la e espezinhá-la em pó! Para que a Tua glória seja vista deles.
27. O Adepto é movido a manifestar sob a forma de poesia a Divindade que ele viu. Ele prevê que o vulgo se enfurecerá, desprezará seus livros e os calcará aos pés; mas assim fazendo, pelo ato mesmo os olhos deles se abrirão à glória do Deus. Isto pode significar que o meu Trabalho pode vir a renovar o verdadeiro fervor religioso nesses que perderam toda visão e toda fé; sua fúria contra mim os levará a perceber que no fundo dos seus corações está o instinto de que eles são entes espirituais.
28. Nem será dito nos mercados que eu cheguei quem deveria vir; mas Tua vinda será a palavra única.
28. Meu trabalho religioso não resultará em eu ser reconhecido como o Redentor; mas os homens admitirão que o Espírito do Deus Solar Horus soprou sobre eles, e infundiu-lhes o barro com vida.
29. Tu Te manifestarás no imanifestado; nos lugares secretos os homens te encontrarão, e Tu os conquistarás.
29. Horus será reconhecido como a explicação de todas essas energias do Universo que nós sabemos devem existir, se bem que os nossos sentidos não podem percebê-las. Os homens perceberão Horus ao explorarem os mistérios da Natureza, como o Inconsciente do Homem, ou a estrutura do Átomo. Ele os compelirá a admitir que Ele é o Ultimal princípio atrás de todas as manifestações, contrariando as velhas teorias deles. (O exato significado de 'Norus' nesta passagem deve ser extraído de CCXX, Capítulo III.)
30. Eu vi um jovem pálido e triste deitado sobre o mármore à luz do sol, chorando. A seu lado estava o alaúde esquecido. Ah! mas ele chorava.
30. Ele é pálido, tendo
dado o seu sangue ao seu Trabalho. Ele é triste, tendo compreendido a
Dor do Universo (Seu próprio Trabalho o levou a esta compreensão). Ele
está deitado, como que cansado e duvidando se vale a pena trabalhar.
Ele está sobre o mármore; isto é, os duros, nús fatos da existência,
apesar de todo polimento, machucam-lhe a carne.
ele está à luz do
sol: ele vê mais que claramente a Natureza. Seu Anjo brilha sobre ele,
mas de uma altura inacessível. Ele chora: ele, cujo dever é verter
vinho para os Deuses, pode apenas derramar água salgado sobre o solo
nu. Ele não pode fazer música; ele até perdeu a memória de que era
capaz de fazê-lo antigamente.
31. Então veio uma águia do abismo de glória e cobriu-o com sua sombra. Tão negra era a sombra que ele ficou invisível.
31. A Águia simboliza a influência do Pai dos Deuses, também a mais alta forma de Vida Mágica, e o Governo do Ar, isto é, o poder de comandar o mundo dos pensamentos. Isto o cobre de maneira a esconder a personalidade dele.
32. Mas eu ouvi o alaúde tocando vivamente através do ar azul e quieto.
32. Assim inspirado, ele retoma alegremente a sua música; o Ar mesmo torna-se quieto, isto é nenhum pensamento o perturba; e é azul, estando cheio dos espíritos de santidade, amor e pureza.
33. Ah! mensageiro do Bem-Amado, cobre-me com Tua sombra!
33. O Adepto invoca a Palavra de seu Anjo para silenciar todos os pensamentos pessoais.
34. Teu nome é Morte, talvez; ou Vergonha, ou amor.
Contando que me tragas novas do Bem-Amado, não perguntarei teu nome.
34. Ele aceitará isto em qualquer forma em que apareça; se a Morte mesma for necessária para acabar com a amolação do Ego, ou a Vergonha para mortificá-lo e impedir que se pavoneie, ou o Amor para destruir as suas ambições, ainda assim o Adepto aceitará o mensageiro.
35. Onde está agora o Mestre? gritam os loucos meninotes.
Ele está morto! Ele está envergonhado! Ele está casado! e sua zombaria dará volta ao mundo.
35.
Seus preconceitos 'racionais' presumivelmente perguntarão em tal caso:
"Que aconteceu com as tuas ambições mágicas? Tu não és o Mestre que
querias ser; tu és apenas o escravo desse teu Anjo - o que quer que a
palavra signifique. Tua personalidade está sufocada, tuas ambições
estão esmagadas, tua ocupação única é ecoar as palavras desse 'Anjo',
as quais voce nem sequer aprova.
'Tu destruiste teu Ser, tu
mereceste inventivas dos teus amigos; tu abandonaste tua carreira e te
ataste aos caprichos de uma mulher.'"
36. Mas o Mestre terá tido a sua recompensa.
O riso dos zombadores será um corrupio no cabelo do Bem-Amado.
30-36. O jovem é Ganímedes, a águia a ave de Júpiter. Aqui, Ganímedes simboliza o Adepto.
36.
O Adepto admite que seu corpo e mente, abandonados à sua sorte,
sofreram esses desastres. Mas a intimidade com seu Anjo, para adquirir
a qual ele deliberadamente abandonou todo cuidado com seus assuntos
pessoais, justifica a sua conduta; e as recriminações de suas idéias
intelectuais não são por ele percebidas como tais.
Elas são para
ele um movimento do cabelo do Bem-Amado (energias radiantes da
Individualidade do Anjo); isto é, elas chamam sua atenção para uma das
Glórias d'Aquele.
37. Vê! o Abismo da Grande Profundez. Ali está pujante golfinho, fustigando seus lados com a força das ondas.
(1)37. O Abismo é a Mente; o Golfinho é o Consciente Desassocegado.
(2)37. Os homens são governados pelo orgulho e outras paixões.
(3)37. O golfinho significa qualquer estado mental que seja inquieto,
descontente e incapaz de escapar às suas circunstâncias.
(4)37. O golfinho é profano.
38. Ali está também um harpista de ouro, tocando infinitas melodias.
38. O harpista é o instrutor cujo elogio do Caminho Iniciático induz o profano a procurar a Iniciação; ele é o Guru que aquieta a mente fazendo-a escutar sons harmoniosos, em vez de torturar-se pensando em suas dores e suas paixões. Estes sons harmoniosos são produzidos através de meios mecânicos; isto refere-se a práticas como Asana, etc.
38. Eles säo mais eficientemente impressionados pelo elogio da beleza, mostrada em suas mais brilhantes vestes.
38.
Cura isto refletindo que esta é a matéria prima da Beleza, tal como o
caráter de Macbeth, o infortúnio do Timon, etc., deras a Shakespeare
sua chance. Faz com que teu próprio problema sirva ao tema de tua vida
como um sublime drama.
39. Então o golfinho deleitou-se nelas, e deixou seu corpo, e se tornou uma ave.
39. Libertado de sua grosseria e violência, o Consciente aspira a ideais elevados. É, no entanto, incapaz de manter silêncio e tem pouca inteligência. É treinado escutando a harmonia da vida - alento inspirando junto, em vez de músculo agitando metal, Isto refere-se a Pranayama, mas também à apreensão de que a inspiração em si é apenas um movimento superficial; o Consciente deve aprender a arte de usar todo e qualquer alento para produzir harmonia.
39. Desta forma, teu pensamento se tornará lírico; mas isto näo será suficiente para satisfazer tua necessidade. Tu sentirás a natureza transitória de um tal pensamento.
40. O harpista também pôs de lado sua harpa, e tocou melodias infinitas na Flauta de Pan.
39-40. Quando tiverem sido ensinados a aspirar, e tiverem sido limpados dos apetites mais grosseiros, ensina-lhes as sete ciências.
40.
O Consciente agora adquire complecção divina e humana. O Fauno
simboliza a aspiração firme, o poder criador e a inteligência humana.
As asas do anseio idealístico são depostas; o pensamento aceita o fato
de sua verdadeira natureza e aspira apenas a perfeições possíveis.
Agora ele ouve a harmonia do Universo expressada através da voz humana;
isto é, sob uma forma articulada e intelegível, de maneira que cada
vibração, além de deleitar os sentidos, apela à alma. Isto representa o
estágio da concentração em que, estando fixo em meditação sobre algum
assunto, o praticante penetra o aspecto superficial desse e tenta
atingir-lhe a realidade, o verdadeiro significado de sua relação com o
observador.
40. Transforma-o apreciando-o como um fato de intrínseca importância na estrutura do Universo.
40. Ele aprende que o Adepto näo é uma perfeiçäo daquilo que ele sente ser a parte mais nobre dele mesmo, mas um Microcosmo (Nota de M.: Esta é uma das diferenças fundamentais entre o verdadeiro Adepto e um Irmäo Negro).
41. Então a ave desejou muito esta alegria, e depondo suas asas, tornou-se um fauno da floresta.
41. A exaltaçäo lírica dará lugar a uma realizaçäo profunda de ti mesmo, e de tudo que te concerne, como um Habitante da Natureza, contendo em tua consciência os elementos do Bestial e do Divino, ambos igualmente necessários à Complecçäo do Universo. Teu desconforto mental do início agora te parecerá agradável, uma vez que sem aquela experiência tu serias eternamente mais pobre.
41. Ele completa a formaçäo de si mesmo como uma imagem do Todo.
42. O harpista também depôs sua flauta de Pan, e com a voz humana cantou suas melodias infinitas.
41-42. Tendo-os instruído até eles estarem realmente prontos, por estarem completos, para real iniciaçäo, dize-lhes Verdades.
42. Agora interpreta aquela experiência como 'um trato particular de Deus com tua alma'. Descobre uma explicaçäo para ela; compele a experiência a fornecer uma mensagem inteligível.
42. Ele entäo compreende todas as coisas, e finalmente se torna o Todo.
43. Então o fauno encantou-se e foi-lhe atrás muito longe; por fim o harpista calou-se, e o fauno virou Pan no meio da primal floresta da Eternidade.
43. O estágio final é alcançado. Todos os
positivos possíveis säo percebidos como desvios do Negativo, e portanto
como erros. Há Silêncio. Entäo fauno se torna o Todo. Foi-se a floresta
limitada das idéias secundárias em que no passado ele habitou, e que
ele abandonou para seguir a Palavra que o encantou. Ele está agora no
Mundo de Idéias cuja natureza é simples (primal) e que näo determinadas
por condiçöes tais como o Tempo.
(Uma árvore é uma idéia, sendo fálica e tendo ramos.)
43. Uma vez eles estejam no Caminho, cala-te; eles chegaräo à Consecuçäo naturalmente.
43.
Continua este fio de pensamento até entrares em Raptura, causada pelo
reconhecimento do fato que tu - e tudo mais - säo expressöes estáticas
de um sublime Orgasmo Espiritual, elementos de um Eucarística uniforme.
A Verdade, näo importa quäo esplêndida, perderá agora todo significado
para ti.
Ela pertence a um mundo onde discriminaçäo entre o sujeito
e predicado é possível, o que implica imperfeiçäo; e tu te elevaste
acima desse plano. Tu assim te tornas Pan, o Todo;; näo mais uma parte.
Tu vibras com a alegria do ardor de criaçäo, tornada uma deusa virgem
por amor a ti. Também, tu estás louco, a razäo sendo o estado que
conserva as coisas em proporçöes definidas umas com as outras, enquanto
que tu as dissolveste todas em teu próprio ser, em êxtase
incomensurável.
43. Ele entäo compreende todas as coisas, e finalmente se torna o Todo.
44. Tu näo podes encantar o golfinho com silêncio, Ó meu profeta!
37-44. Moral: Pratica Yoga Elementar até tua técnica ser perfeita; näo tentes atingir Nibbana até saberes como.
1. Descreve a maneira de adquirir Concentração pelo método das 'Escadas' (ver Liber Aleph).
2. Indica como lidar com gente que desejamos iniciar.
3. Dá um método para se passar de um estado mental a outro à vontade.
A
idéia básica em cada caso é que devemos aplicar o remédio apropriado a
qualquer doença que possa existir; não algum remédio idealmente
perfeito. A matéria prima deve ser passada gradativamente através de
cada fase do processo; é inútil tentar obter dela a Tintura Perfeita
através da execução imediata da Projeção Final.
4. Descreve o curso inteiro do Caminho Iniciático.
Estes quatro significados necessitam uma explicação detalhada, verso por verso.
Moral: Pratica Yoga Elementar até tua técnica ser perfeita; não tentes atingir Nibbana até saberes como.
Muitas säo as virtudes do Silêncio; mas quem jurou auxiliar aos homens tem que ensinar-lhes o Próximo Passo.
Näo tentes curar ataques de melancolia através de ideais elevados; eles pareceräo absurdos, e tu apenas aumentarás teu desespero.
O profano näo consegue imaginar qual a intençäo dos Mestres quando estes trabalham com os que lhes estäo mais próximos.
45. Entäo o adepto foi arrebatado em dita, e o além da dita, e excedeu o excesso do excesso.
45. Frases extravagantes tentam registrar o Evento.
46. Também seu corpo tremeu e cambaleou com a carga daquela dita, e daquele excesso, e daquele ultimal inominável.
46. O corpo físico, seus nervos (ao tentarem reagir simpaticamente à experiência) sendo carregados além de sua capacidade, é atingido.
47. Ele gritaram Ele está ébrio ou Ele está louco ou Ele sente dor ou Ele está a ponto de morte; e ele näo os ouviu.
47. O observador (outros, ou a própria mente racional dele) näo compreende o que se passa.
48. Ó meu Senhor, meu bem-amado! Como hei de compor cantos, quando até a memória da sombra da tua glória é uma coisa além de toda música da fala ou do silêncio?
48. Tudo isto é inexprimível.
49. VÊ! eu sou um homem. Mesmo uma criancinha poderia näo Te suportar. E entäo?
45-49. Esta passagem descreve a reaçäo do Adepto ao estado de Êxtase. O ponto é, que toda tentativa de descriçäo é fútil.
49. Entäo o adepto foi arrebatado em dita, e o além da dita, e excedeu o excesso do excesso.
49. Mesmo a inocência de uma criança näo poderia suportar o impacto do Anjo. Um homem, tendo idéias fixas de verdade, sofre um terrível abalo quando elas säo todas despedaçadas, tal como acontece nesta experiência.
50. Eu estava só num grande parque, e junto a um certo outeiro estava um anel de relva profunda esmaltada onde uns vestidos de verde, lindissimos, brincavam.
51. Em seu brinquedo eu cheguei até mesmo à terra do Sono Encantado.
51. Brincando assim eu cheguei a um estado de êxtase poético (Sono Encantado).
Aí eu me senti feliz.
52. A noite inteira eles dançaram e cantaram; mas Tu és a manhä, Ó meu querido, minha serpente que Te enroscas em redor deste coraçäo.
50-52. O parque é o mundo das idéias bem plantadas e bem cultivadas, tais como o literato e o letrado usufruem. Aqui eu encontrei um lugar onde eu podia exaltar minha consciência (ou outeiro). Perto estava um anel de relva (minha poesia) em que brincavam fadas (meus personagens, minhas frases, meu ritmo, etc.)
52. Mas isto tudo aconteceu durante a noite; meu mais elevado êxtase poético é como escuridäo comparado à luz do Conhecimento e Conversaçäo do Sagrado Anjo Guardiäo.
53. Eu sou o coraçäo, e Tu a serpente. Aperta mais teus anéis em volta minha, para que nem luz nem dita possam penetrar.
53. Eu sou o senso feminino que aceita os abraços do masculino S.A.G. Eu requero contato mais íntimo: mesmo a luz e a dita da Raptura me distraem da Uniäo com Ele.
54. Arrebata-me em sangue, como uma uva sobre a língua de uma branca jovem Dórica que enlanguece ao luar com seu amante.
54. Sua presença näo deve me deixar nenhuma luz própria.
55. Entäo que o Fim desperta.
Longo tempo tu dormiste, Ó grande Deus Terminus!
Longamente tu esperaste no fim da cidade e das estradas desta.
Acorda Tu! näo esperes mais!
55. O Fim significa "O Verdadeiro Ser".
Terminus é a Pedra Fálica que jaz além da mente (cidade) e seus
pensamentos (estradas). Através desta Uniäo com o Anjo eu espero chegar
ao Verdadeiro Ser, o eterno, fixo indivíduo criador.
56. Näo, Senhor! mas eu cheguei a Ti. Sou eu que espero enfim.
56. Tendo conseguido o Conhecimento e Conversaçäo do Sagrado Anjo Guardiäo (por um esforço, por assim dizer, masculino) o Adepto torna-se receptivo, feminino, paciente, entregando sua vontade por completo àquela do seu Anjo.
57. O profeta gritou contra a montanha: vem tu aqui, para que eu possa falar-te!
58. A montanha näo se moveu. Portanto foi o profeta até à montanha, e falou-lhe. Mas os pés do profeta ficaram cansados, e a montanha näo lhe ouviu a voz.
59. Mas eu clamei alto por Ti, e eu viajei em busca Tua, e de nada me valeu.
60. Eu esperei com paciência, e Tu estavas comigo desde o início.
57-60. É igualmente inútil chamar o que a gente deseja ou sair à sua procura. Isto apenas afirma a ausência da coisa desejada, e a verdade é que está com a gente o tempo todo, se apenas extinguimos a nossa inquietaçäo.
61. Isto agora eu sei, Ó meu amado, e nós estamos deitados à vontade entre os vinhais.
61. Isso feito, acabou-se o esforço; temos apenas que usufruir.
62. Mas estes teus profetas; eles deves gritar alto e fustigar-se; eles devem cruzar desertos virgens e oceanos insondados; esperar por Ti é o fim, näo o princípio.
62. Porém, tal como as coisas säo, nós somos constituídos de maneira a ser incapazes de tal simplicidade. Temos que passar por muito para aprendermos a esperar!
63. Que escuridäo cubra a escrita! Que o escriba se vá em seus caminhos.
63. O consciente do escriba, até agora requerido para que ele pudesse registrar as palavras daquela parte do seu Ler que nós chamamos 'o Adepto' e as palavras do seu Anjo, é agora dispensado para que cuide dos seus afäs normais.
64. Mas tu e Eu estamos deitados à vontade entre os vinhais; o que é ele?
64. O Adepto e seu Anjo permanecem no repouso do Êxtase: eles näo deixam de existir quando o escriba näo mais os percebe. Pelo contrário; eles lhes parece bastante irreal.
65. Ó Tu Bem-Amado! näo existe um fim? Näo, mas existe um fim. Acorda! levanta-te! cinge teus membros, Ó tu corredor; leva a Palavra às cidades pujantes, sim, às cidades pujantes.
65. Uniäo com o seu Anjo näo é o único fito do
Adepto. Existe um 'fim', um Propósito próprio à sua individualidade.
Portanto o Anjo ordena-lhe que se retire dos Transes de Uniäo. Ele deve
assumir a forma de Hermes (corredor - o portador da Palavra) e entregar
a Palavra que lhe foi confiada às 'cidades pujantes'. Isto pode
significar 'às maiores mentes do mundo'.
CAPÍTULO 3
Este
capítulo é atribuído à água; trata dos reflexos preliminares da verdade
qual apreendida pela intuiçäo, antes de qualquer apreensäo intelectual;
e da natureza da Compreensäo e do instinto sexual.
1. Em verdade e Amém! Eu passei pelo mar profundo, e pelos rios de água corrente que ali abundam, e eu cheguei à Terra Sem Desejo.
2. Onde estava um unicórnio branco com uma coleira de prata, na qual estava gravado o aforisma Linea viridis gyrat universa.
1-2.
O mar é o Sensório da Alma, e as corrente suas tendências - essas
atividades em que ela se compraz. Até que tenhamos passado pela
totalidade de experiências possíveis (qual adivinhadas pela estimativa
da atualidades disponíveis em nosso caso particular), a gente näo pode
alcançar o estado em que todo Desejo é reconhecido como fútil. Somente
quando isto está fixado podemos perceber o Unicórnio - Movokepws - de
Astris - o único, puro (é branco) Propósito cujo nome é escrito da
maneira a ser explicada.
A coleira representa complecçäo - a
'infinidade' ou 'eternidade' simbolizada por um anel. Está em volta do
pescoço, i.e., o lugar do Conhecimento (Daath - o Visuddhi cakkra) e
feito de prata, o metal da Virgem Isis-Urânia, a qual anima Aspiraçöes
puras.
O nome do Unicórnio (cujo chifre significa o poder criador) é 'A Linha
Verde cinge o Universo'. Note-se a etimologia viridis, a qual está
ligada a 'vir' e 'vis'; também a idéia de 'gyrut', lembrando-nos do
aforisma 'Deus é Ele com a Cabeça do Falcäo, tendo uma força espiral'.
A Linha Verde, aqui escolhida para sugerir o Limite do Universo, lembra
o Cinturäo de Vênus. O limite da Existência, portanto, näo é uma idéia
fixa, mas um sempre-crescente Princípio Vegetal de Vida, da natureza do
Amor. Em suma, podemos dizer que a expressäo inteligível da pura Idéia
criadora é o princípio uniforme do Crescimento.
3. Entäo a palavra de Adonai veio a mim pela boca do Magister meu, dizendo: Ó coraçäo que estás cingido com os anéis da velha cobra, levanta-te à montanha da iniciaçäo!
3. O Anjo entäo fala à
consciência humana do Adepto por intermédio de seu Ser Iniciado - de
outra forma ele näo poderia compreender uma täo elevada mensagem. Ele
comanda o homem, qual homem (o coraçäo, Tiphereth, o lugar do Eu
Consciente), a que adquira o ponto de vista do Iniciado.
A cobra
velho representa o Desejo natural, o qual é a 'causa da Dor', condena o
homem a rastejar no pó, e o une à baixa vida animal.
4. Mas eu lembrei-me. Sim, Than, sim, theli, sim Lilith! estas três me cingiam de há muito. Pois elas säo uma.
4. Than, Theli e Lilith säo três formas serpentinas descritas na Qabalah!
Than é realmente Tanha - nenhum trocadilho é intencionado, mas Th é a
letra da matéria, e N representa a forma de Vida réptil e pisceana.
Está relacionada com o 'glútem no sangue' que von Eckartshausen chama
'o corpo do pecado'.
Theli: LI significa satisfaçäo secreta - uma idéia que sugere vergonha.
Lilith: LI duplicado e portanto tornado tedioso, e tornando em escuridäo material.
5. Linda eras tu, Ó Lilith, tu mulher-serpente!
6. Eras esguia e teu gosto uma delícia, e teu perfume era de almíscar mistrado de ambergris.
6. O Adepto analisa essa Rainha-Demônia do seu Nephesch. Ele se recorda do apelo sensual dela, e nota que, a dissoluçäo de todas as coisas sendo inevitável, o apego a elas leva ao sofrimento e à destruiçäo. Nos versos 11-12, de mais a mais, ele mostra que aparte consideraçöes da passagem do tempo a natureza desse Desejo é, intrinsicamente, corrupçäo.
7. Tu apertavas o coraçäo com teus anéis, e isso era como a primavera de alegria.
7. O Adepto analisa essa Rainha-Demônia do seu Nephesch. Ele se recorda do apelo sensual dela, e nota que, a dissoluçäo de todas as coisas sendo inevitável, o apego a elas leva ao sofrimento e à destruiçäo. Nos versos 11-12, de mais a mais, ele mostra que aparte consideraçöes da passagem do tempo a natureza desse Desejo é, intrinsicamente, corrupçäo.
8. Mas eu vi em ti uma certa mancha, mesmo naquilo em que me deleitava.
9. Eu vi em ti a mancha de teu pai o macaco, do teu avô o Verme Cego do Lodo.
10. Eu olhei o Cristal do Futuro, e vi o horror do teu Fim.
11. Mais, eu destruí o tempo Passado, e o tempo Vindouro - näo tinha eu o Poder da Ampulheta?
12. Mas mesmo na hora eu vi corrupçäo.
5-12. O Adepto analisa essa Rainha-Demônia do seu Nephesch. Ele se recorda do apelo sensual dela, e nota que, a dissoluçäo de todas as coisas sendo inevitável, o apego a elas leva ao sofrimento e à destruiçäo. Nos versos 11-12, de mais a mais, ele mostra que aparte consideraçöes da passagem do tempo a natureza desse Desejo é, intrinsicamente, corrupçäo.
13. Entäo eu disse: Ó meu amado, Ó Senhor Adonai, eu te rogo que desfaças as roscas da serpente!
14. Mas ela estava apertada em volta minha, de modo que minha Força era impedida em seu começo.
13-14. É inútil pedir ao Anjo que livre o Adepto dessa coerçäo: a força mágica do Adepto, a qual é necessária para este fim, é pelo Desejo impedida mesmo de começar.
15. Também eu orei ao Deus Elefante, o Senhor dos Começos, que derruba obstruçäo.
15. O Adepto invoca Ganesha, o qual representa o poder de quebrar obstruçöes. O elefante, 'o semi-pensador com a mão', é a força moral do homem, parcialmente inteligente e dócil ao controle de seu Mestre Espiritual.
16. Estes deuses vieram prontamente em minha ajuda. Eu os vi; eu me uni a eles; eu me perdi em sua vastidäo.
16. Essa força moral sendo posta em açäo, o Anjo também se torna um auxiliar eficiente, e a contriçäo do Desejo desaparece totalmente
(Nota de M.: O Anjo só auxilia ativamente quanto o seu cliente dá o primeiro passo na direçäo certa; se o cliente näo dá o primeiro passo, ou vai na direçäo contrária aos seus interesses espirituais, o Anjo se abstém. De outra forma, seria escravidäo, e näo guarda, a relaçäo.)
17. Entäo eu me percebi cingido pelo Infinito Círculo de Esmeralda que circunda o Universo.
17. O Adepto agora percebe que ele está limitado apenas pela Linha Verde do verso 2.
18. Ó Serpente de Esmeralda, Tu näo tens tempo Passado, nem tempo Vindouro. Em verdade, Tu näo és.
18. Esta linha é reconhecida como equivalente ao Negativo - Nuit Ela Mesma.
19. Tu és gostosa além do tato e do sabor, Tu näo podes ser vista de glória, Tua voz está além da Fala e do Silêncio e da Fala no Silêncio, e Teu perfume é de puro embergris, que näo é de se pesar contra o mais fino do ouro fino.
20. Também Tuas roscas säo de infinito alcance; o Coraçäo que Tu encercas é um Coraçäo Universal.
19-20. Esta Idéia de Puro Amor é sem limites; ela outorga a verdadeira, a máxima satisfaçäo possível; seu perfume (significado espiritual) näo está misturado com qualquer concepçäo imperfeita (Ambergris é o perfume de Kether; almíscar refere-se ao Amor em um senso um pouco animalizado.)
20. Também o Anjo é identificado com esta Linha Verde, e desta forma a consciência do Adepto se expande para incluir o Universo.
21. Eu, e Mim, e Meu, estavam sentados com alaúdes na praça de mercado da grande cidade, a cidade das violetas e das rosas.
22. A noite caiu, e a música dos alaúdes parou.
23. A tempestade rugiu, e a música dos alaúdes parou.
24. A hora passou, e a música dos alaúdes parou.
25. Mas Tu és a Eternidade e o Espaço; Tu és Matéria e Movimento; e Tu és a negaçäo de tudo isso.
26. Pois näo existe Símbolo de Ti.
21-26. A idéia do Ego näo deve ser utilizada para unificar a experiência do Adepto. Em tal caso, a música da Vida cessa quando a dúvida obscurece, problemas perturbam, ou o tempo cansa o consciente. O Adepto deve perder-se por completo na consciência do seu Anjo, que está além de tais limitaçöes e imune de tais ataques, pois Ele näo pode ser expressado por nenhuma Imagem fixa que pode ser destruída.
27. Se eu digo Subí sobre as montanhas! as águas celestiais flúem ao meu comando. Mas tu és a Água além das águas.
28. O rubro coraçäo triangular foi colocado em Teu templo; pois os sacerdotes desprezaram igualmente o templo e o deus.
29. No entanto o tempo todo Tu ali oculto estavas, como o Senhor do Silêncio está oculto nos botöes do lótus.
28-29.
Estes versos säo especialmente obscuros e devem até certo ponto assim
permanecer. Pois eles contém uma alusäo ao ponto mais secreto e mais
crítico da Carreira Mágica de TO MEGA THERION. 'O grupo coraçäo
triangular' é o símbolo peculiar de Ra-Hoor-Khuit; e o Profeta hesitou
em aceitar o Livro da Lei, que proclama o Deus, porque considerava isto
imcompatível com o seu Juramento de alcançar o Conhecimento e
Conversaçäo do seu Sagrado Anjo Guardiäo. Somente dezenove anos mais
tarde foi que ele percebeu por completo que o Sagrado Anjo Guardiäo
está escondido neste símbolo R.H.K.
Os 'sacerdotes' aqui parecem
representar os Chefes Secretos da A.'. A.'., os quais executaram seu
propósito de estabelecer a Lei através de TO MEGA THERION, com completo
descaso pelas idéias pessoais dele quanto ao seu Trabalho (templo) e ao
objeto de sua adoraçäo (deus). A metáfora ao fim do verso 29 nos lembra
que o lótus (a Natureza-Isis) esconde debaixo de sua aparência externa
as perfeiçöes secretas da criança.
30. Tu és Sebek o crocodilo contra Asar; tu és Mati, o Assassino no Profundo. Tu és Tifon, a Fúria dos Elementos, Ó Tu que transcendes as Forças em seu Concurso e Coesäo, em sua Morte e Disrupçäo. Tu és Piton, a terrível serpente em volta do fim de todas as coisas!
27-30. O Adepto aprende a controlar todas as variedades de imagens que se apresentam, e a criar quaisquer que ele deseje. Mas seu Anjo representa o Ideal que é seu limite neste assunto. Todas as idéias de que ele é capaz estäo compreendidas na natureza de seu Anjo.
30. O S.A.G. é agora identificado näo apenas com R.H.K., mas com símbolos ostensivamente hostís. Ele é para ser encontrado em todos os fenômenos.
31. Eu me virei três vezes em todas as direçöes; o sempre eu cheguei a Ti por fim.
32. Muitas coisas eu vi, mediatas e imediatas; mas näo as vendo mais, eu vi a ti.
31-32. Em qualquer direçäo em que o Adepto decida mover-se, ele deverá chegar eventualmente ao seu Anjo. Tudo que ele vê näo é mais que um véu sobre a Sua Face.
33. Vem Tu, Ó Bem-Amado! Ó Senhor Deus do Universo, Ó Vastidäo, Ó Minuscia! Eu sou o Teu amado.
34. O dia inteiro eu canto o Teu deleite; a noite inteira eu me deleito em Teu canto.
35. Näo existe nenhum outro dia ou noite que este.
36. Tu estás além do dia e da noite; eu sou Tu mesmo, Ó meu Criador, meu Mestre, meu Esposo!
33-36. Esta passagem, puramente lírica, näo requer comentário especial. Ela assevera a ultimal identidade de todas as idéias com o Anjo, incluindo o próprio Adepto, que se reconhece unido a Ele na relaçäo triuna do Pai, Governante e Noivo: a fonte de seu Ser, o determinante de sua Vontade, e a inspiraçäo de sua Fertilidade e Alegria.
37. Eu sou como o cachorrinho vermelho que está sentado nos joelhos do Desconhecido.
37. O cäo é a baixa natureza animal - 'vermelho' é o símbolo da sua energia, sensibilidade e poder de amar. Ele está impotente (nos joelhos do) no circundante Mistério da Vida (Desconhecido), mas permanece quieto e confia.
38. Tu me trouxeste o grande deleite. Tu me deste Tua carne a comer e do Teu sangue como uma oferta de intoxicação.
38. O Anjo substitui esta atitude por uma satisfação e nutrição completas. É n'Ele que o Adepto vive, é sua Vida que o embriaga.
39. Tu ferraste as presas da Eternidade em minha alma, e o Veneno do Infinito me consumiu inteiramente.
39. O inimigo Tempo foi devorado, e o Ego limitado dissolvido no Infinito.
40. Eu estou tornado como um opulento diabo da Itália; uma mulher loura e forte de face cavada, comida de fome de beijos. Ela bancou a rameira em diversos palácios; ela deu seu corpo às bestas.
40. A referência é à Marquesa de Brivilliers; ela representa o Nephesch ou Alma Animal. Esta Alma atem procurado satisfazer as suas paixões de diversas formas extravagantes.
41. Ela matou seus parentes com forte veneno de sapos; ela foi castigada com muitas varas.
41. Ódio de outras almas - a dor de receber verdades.
42. Ela foi despedaçada sobre a Roda; as mãos do verdugo a amarraram ali.
42. Com isto a unidade dela acaba sendo despedaçada por Mudança. Ela foi presa ao ciclo de Samsara pelo Ministro da Justiça.
43. As fontes d'água foram abertas sobre ela; ela lutou contra tormento extremo.
43. Sua solidez não pode mais resistir à ação da Pureza; seus complexos são invadidos pelo Solvente Universal. Sua resistência é uma tortura tremenda.
44. Ela rebentou sob o peso das águas; ela afundou no horrendo mar.
44. Finalmente a coerência dela é quebrada, e o senso de separação desmorona e dissolve-se no infinito Oceano de Amor.
45. Assim sou eu. Ó Adonai, meu senhor, e assim são as águas da Tua intolerável Essência.
46. Assim sou eu, Ó Adonai, meu amor, e Tu me arrebentaste por completo.
45-46. O texto confirma esta interpretação da Iniciação como o equivalente de extensa psicanálise. (Nota de M.: Porém, essa extensão vai imensamente além daquilo que a psicanálise mundana pode atingir. Até o presente, os psicanalistas estudaram apenas seções do Nephesch e do Ruach.)
47. Eu estou derramado como sangue sobre os picos; os Corvos da Dispersão me levaram por completo.
47. A vida do Ego é dispersada sobre todas as idéias salientes. Os corvos são os pássaros de Netzach, a esfera de Vênus. I.e., a vida do Adepto é transportada para longe, voando, pelo Amor Universal.
48. Portanto está afrouxado o selo que guardava o Oitavo abismo; portanto é o vasto mar como um véu; portanto há uma dilaceração de todas as coisas.
48. Este processo conduz à completa passagem do Abismo - a respeito do que consulte-se Libri 418 e VII.
49. Sim, também em verdade Tu és a fresca quieta água da fonte encantada. Eu me banhei em Ti, e me perdi em Tua quietude.
50. Aquilo que entrou como um valente menino de lindos membros sai como uma donzela, como uma criancinha em sua perfeição.
49-50. As idéias acima são aqui repetidas sob a forma de outro símbolo. A 'fonte' é Salmacis. A individualidade positiva se torna a Universal e Perfeita Virgem do Mundo.
51. Ó Tu luz e deleite, arrebata-me ao oceano leitoso das estrelas.
52. Ó Tu Filho de uma mãe que transcende a luz, abençoado seja Teu nome, e o Nome de Teu Nome, através das idades!
51-52. Um desabafo lírico sobre o tema. Note-se Muit, e o novo Verdadeiro Eu nascido d'Ela agora que o velho Falso Ego é aniquilado.
53. Vê! eu sou uma borboleta na Fonte de Criação; deixa-me morrer antes da hora, caindo morto em Tua corrente infinita!
53. A referência é ao Ato XVII. A borboleta é o Neschamah (puro ----). Sua natureza é aquela de um ente separado momentaneamente, sem dor, de Nuit.
54. Também a corrente das estrelas flui sempre majestosa à Habitação; carrega-me no Colo de Nuit!
54. A corrente das almas (estrelas) flui sempre em direção a Nuit, isto é, cada homem e mulher tem a mesma Verdadeira Vontade - recuperar a sua Mãe original.
55. Este é o mundo das águas de Main; esta é a água amarga que se torna doce. Tu és belo e amargo, Ó dourado, Ó meu Senhor Adonai, Ó tu Abismo de Safira.
55. O acima é declarado um Mistério do Ato XII. o 'afogamento' do Adepto transforma o Transe de Sofrimento no Transe do Amor. O Anjo é visto como um símbolo positivo desse "Grande Amor".
56. Eu sigo a Ti, e as águas da Morte lutam extênuas contra mim. Eu passo às Águas além da Morte e além da Vida.
56. Pelo seu Conhecimento e Conversação esta transmutação é realizada.
57. Como responderei ao homem tolo? Por nenhum caminho ele chegará à Tua Identidade!
57. Este 'homem tolo' não pode ser conduzido à perfeição, pois ele é composto de Qliphoth ou excremento. Sua emancipação é precisamente de tais partes de seu ente; elas não são da sua essência.
58. Mas eu sou o Tolo que não liga ao Jogo do Mago. A mim a Mulher dos Mistérios instrui em vão; eu quebrei os grilhões do Amor e do Poder e da Adoração.
58. O Adepto se identifica com este Puro Tolo. Ele é indiferente à Ilusão da Existência Fenomenal causada pelo Mago (Pekht, Extensão, o Ato I, --, 2, --, Mayan). A Mulher dos Mistérios (Isis, Ato II, --, 3, --) não estraga a pureza dele com seus fantásticos reflexos da Verdade. Ele não está mais à mercê da Imperatriz, Ato III, --, 4, --; nem do Imperador, Ato IV, --, 90, Áries; nem do Microfante, Ato V, --, 6, Taurus. Isto é, nem as distinções sutís (I< II) da Verdade nem as suas imagens grosseiras (III, IV, V) podem causar injúria à sua perfeição do Zero.
59. Portanto é a Águia unida ao Homem, e a força de infâmia dança com o fruto do justo.
57-59. O 'homem tolo' é o homem natural, o profano. 'Tolo' neste sentido significa vazio, vaidoso, cheio de si. Ele é o 'pequeno louco', adiante comparado com o Louco, Ato O, --, do Taro, o qual é o primeiro Caminho de Kether.
59. O resultado é que os símbolos de Realeza e de Espiritualidade são agora equivalentes àqueles da vida plástica (Aquário e Escórpio) e manifestação vibratória. A força é encontrada no Ato XII, --, 40, -- (Veja-se verso 55); nela está pendurado, isto é, livre da terra, movendo-se alegremente (dança) o homem manifestado ou estendido (Ato VIII, --, 30, Libra: a forma positiva ou expressada do Ato O; Aleph e Lamed são a Chave de CCXX).
60. Eu baixei, Ó meu querido, às águas negras e brilhantes, e Te colhi como uma pérola negra de valor infinito.
61. Eu desci, Ó meu Deus, ao abismo do todo, e eu Te encontrei lá no meio sob o disfarce de Nada.
60-61. (Estes versos podem ser lidos como Estrofe e Anti-Estrofe; mas antes, quando o Anjo fala, nós somos informados de que é Ele falando.) As 'águas negras e brilhantes' são as do Akasa, o mênstruo de manifestação; a Pérola é a simétrica, redonda perfeição do Anjo, o qual é assim um símbolo tangível da Amorfidade de Nuit. (Quanto a 'negra', vede novamente Cap. I,vv. 18-20.)
62. Mas como Tu és o Último, Tu és também o Próximo, e como o Próximo eu Te revelo à multidão.
62. Se bem que assim ultimal, o Anjo está também em íntimo contato com o Homem. Isto explica a política de 666, revelada no resto do parágrafo. (Nota: Durante sua peregrinação na China, Crowley atingiu à recordação de suas encarnações passadas e definiu sua Vontade Mágica,ou Grande Obra, como conduzir a humanidade ao próximo passo em sua evolução espiritual, isto é: a obtenção do Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião. ---M.)
63. Aqueles que sempre Te desejam Te obterão, mesmo no Fim do seu Desejo.
63. O C.&C. do S.A.G. representa a suprema necessidade, e sua consecução coincide com a destruição final do Desejo (no sentido que os budistas dão a esta palavra).
64. Glorioso, glorioso, glorioso Tu és, Ó meu amante super - no Ó Ser do meu ser.
65. Pois eu Te achei igualmente no Mim e no Ti; não há diferença, Ó meu belo, Ó meu Desejável! No Um e nos Muitos eu Te encontrei; sim, eu Te encontrei.
64-65. O capítulo termina em um desabafo de
exaltação lírica. "Todo número é infinito; não há diferença." "Portanto
agora vós me conheceis por meu nome Nuit, e ele por um nome secreto que
Eu lhe darei quando afinal ele me conhecer. Desde que Eu sou o Espaço
Infinito, e as Infinitas Estrelas dali, fazei assim também. Nada
amarreis! Que não haja diferença feita entre vós entre qualquer coisa e
qualquer outra coisa; pois daí vem dor." (Liber CCXX, Capítulo I, vv. 4
e 22.) O C.&C. do S.A.G. dissolve todo pensamento na identidade da insignificância. Ele existe
igualmente na Unidade de R.H.K. e em todo e qualquer detalhe de
manifestação fenomênica.
CAPÍTULO IV
Este capítulo é atribuído ao Elemento Fogo. Trata dos raios salientes de Idéia Positiva, além de qualquer intuição; e da natureza da Vontade e da energia sexual, o aspecto dinâmico do Ente.
Estando
assim além da Compreensão, sendo a Voz do Inconsciente, torna-se
naturalmente impossível mesmo para o Iniciado o apreender o capítulo
tal como é. O capítulo trata das Unidades Originais; e compete ao
Mestre do Templo (o Adepto em Tiphereth não pode de forma alguma
compreender o capítulo) a tarefa de receber, interpretar, dar
nascimento e expressão consciente ao sublime gesto d'Elas.
1. Ó coração de cristal! Eu a Serpente Te abraço; Eu enterro minha cabeça no Teu centro mais íntimo, Ó Deus meu amor.
1. Ele chama o Adepto de 'Coração de Cristal', sugerindo que este é uma concentração de luz, energia, amor, lucidez e pureza. É com estas qualidades do Adepto que ele se comunica. Este é o objetivo da preparação. O Adepto deve apresentar esta imagem perfeitamente antes que o Conhecimento e Conversação possa operar. Isto é, purificação e consagração devem preceder invocação. É extremamente difícil mesmo para o Mestre do Templo, mesmo após anos de contemplação, firmar em seu consciente a percepção de que a parte material dele não é mais "ele" que qualquer outra coleção de fenômenos. O Anjo Se descreve como a Serpente. A serpente é, claro, o símbolo de sabedoria, imortalidade, realeza e outras semelhantes qualidades. O Anjo não só se enrola em volta do coração do Adepto como também mergulha sua cabeça ao centro deste coração. Ele chama o Adepto de 'Deus meu amor'; naturalmente, uma entidade de uma tal ordem de existência já assimilou há muito tempo a verdade do Panteísmo.
2. Mesmo qual nos ressoantes altos varridos de vento de Mytilene alguma mulher como deusa põe de lado a lira e, seus cabelos flamejando qual auréola, mergulha no coração da criação, assim Eu, Ó Senhor meu Deus!
2. A referência é o Safo, a qual amava o Sol, e se atirou ao mar para alcançá-lo. Ela é aqui o símbolo do Anjo representado pelo Caminho de Gimel, onde está a 'Grã Sacerdotisa'. Este caminho liga Macroprosopus IKether) e Microprosopus (Tiphereth), a divindade suprema e sua manifestação humana. O Sol é atribuído a Tiphereth, e assim simboliza o Adepto. O Anjo pensa-se 'mergulhando no líquido coração da criação', isto é a reflexão na matéria do Verdadeiro Ser do Adepto que Ele ama.
3. Há uma beleza indizível, onde as flores flamejam.
3. O Anjo acha beleza neste 'coração de corrupção'. Por esta imagem Ele quer significar a vida de mutabilidade. 'As flores flamejam': Fenômenos florescem e incendeiam, isto é, tocam.
4. Ah me! mas a sede de Tua alegria resseca esta garganta, de modo que Eu não posso cantar.
4. A intensidade da paixão do Anjo é tão grande que Eke não a pode exprimir mesmo em música. O bote é aqui o símbolo de consciência, tal como no Capítulo II, vv. 7-16. A língua é o Logos do Anjo, e os rios desconhecidos novas esferas de pensamento. O eterno sal é o sofrimento que tinge o grande mar de Binah, e ele espera pelo método acima transcender o Transe de Sofrimento no que se refere a todas estas possibilidades.
5. Eu me farei um botezinho de minha língua, e explorarei os rios desconhecidos. Pode ser o eterno sal vire doçura, e minha vida não seja mais sedenta.
6. Ó vós que bebeis da salmoura do vosso desejo, estais perto da loucura! Vossa tortura cresce se bebeis, e continuais bebendo. Subí pelos regatos à água fresca; Eu vos esperarei com os meus beijos.
6. Ele se recorda do método paralelo mas contrário dos homens de procurar satisfação no objeto do desejo. A água é o símbolo do prazer, e desejo está impregnado de sofrimento. Agir desta forma enlouquece a iludida raça dos homens. Ele os convida a 'subir pelos regatos', isto é, as estreitas passagens do pensamento, as correntes concentradas de pensamento que levam ao prazer puro - a 'água fresca'. Quando os homens conseguem viajar, através da vontade controlada, até o verdadeiro puro prazer, eles O encontram esperando para administrar o Sacramento.
7. Como a pedra-bezoar que é encontrada na barriga da vaca, assim é meu amante entre os amantes.
8. Ó menino de mel! Traz-me aqui Teus membros frescos! Sentemo-nos por um pouco na chácara, até o sol descer! Festejemos sobre a relva fresca. Trazei vinho, vós escravos, para que as bochechas do meu menino se enrubesçam.
7-8. A pedra-bezoar é uma bola composta
principalmente de cabelos que representam forças estreitamente
entrelaçadas. O Anjo compara o Adepto com esta pedra, vendo-o como um
complexo de diversas energias. Os membros do Adepto são os instrumento
da sua atividade. O Anjo o convida a repousar na chácara, em Sua
companhia. A chácara é o local onde os processos naturais culminaram em
frutificação.
A relva fresca parece ser um símbolo da vida
vegetativa, e o Anjo propõe usar esta sempre verdejante frescura da
Natureza como o campo do regozijo e da nutrição. Ele chama os escravos,
isto é, os instrumentos de ação, controlados e postos em uso, para que
tragam vinho, isto é, forneçam os meios para o êxtase, pois Ele deseja
que o Adepto se inflame de raptura e manifeste o calor dessa raptura em
sua face, isto é, sua consciência externa.
9. No jardim de imortais beijo, Ó tu brilhante, resplandece! Faz de Tua boca uma papoula, que um beijo é a chave do sono infinito e lúcido, o sono de Shi-loh-am.
9. Um jardim geralmente simboliza um lugar onde a beleza é cultivada; os poetas orientais usam a palavra para expressar uma coleção de poemas ou ditados. Os beijos imortais são os sinais da operação do 'amor sob vontade', a qual é perpétua. O Anjo chama o Adepto para que demonstre seu brilho como se o Conhecimento e Conversação fosse um sacramento além daquilo implicado em todos os atos. A papoula é um símbolo de paz, exaltação e deleite, a doadora do sono, pelo qual é significado o silenciamento de todas as distrações possíveis. A boca do Adepto, o órgão através do qual ele é nútrico, expressa seus pensamentos, desta boca é significado seu abandono ao Anjo, o ato de casamento, e esta é a chave do sono infinito e lúcido. Sono foi explicado acima. É infinito, sendo livre da limitação de condições, e lúcido, sendo caracterizado por pura visão. Shi-loh-am: a palavra significa paz. (xx).
10. Em meu sono Eu contemplei o Universo como um cristal límpido sem mancha.
10. O Anjo explica que em seu sono (no repousante êxtase do amor, poder-se-ia mesmo dizer no orgasmo do amor; a referência é ao particular Samadhi da consecução do C.&.C. do S.A.G. ) ele obteve a visão do Universo como fenômeno contínuo e imaculado. Isto é implicitamente contrastado com o efeito do mesmo ato sobre o Adepto, para o qual significa simplesmente União com a Divindade. O Anjo encontrou perfeição em seu próprio Adepto: isto completa a Perfeição.
1-10. Esta seção é o Anjo falando.
Ele explica Seu Conhecimento e Conversação de Seu próprio*' ponto de vista.
A aspiração em direção a Ele é masculina. No momento de consecução,
isto é substituído por passividade, tal como foi explicado em capítulos
prévios. A aspiração paralela a vontade do Anjo de comungar. Mas
superficialmente a vontade d'Ele é de caráter diverso. Sua natureza vai
ser explicada agora.
11. Existem ricaços vaidosos sem vintém que ficam à porta da taverna e tagarelam de seus feitos de bebedores de vinho.
11. A taverna é o templo de intoxicação espiritual. Do lado de fora estão os Irmãos Negros, vangloriando-se de suas próprias consecuções.
12. Existem ricaços vaidosos sem vintém que ficam à porta da taverna e insultam os hóspedes.
12. Eles são vaidosos de sua riqueza, isto é, egoístas e mesquinhos, no entanto sem vintém, isto é, suas consecuções são sem valor. Também, eles insultam esses que alcançaram o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião: o Irmão Negro, a despeito de toda a sua arrogância, sabe (como Klingsor) qual é a sua verdadeira condição, e portanto ele blasfema a Loja Branca.
13. Os hóspedes brincam sobre sofás de madrepérola no jardim; o barulho dos homens tolos está escondido deles.
13. Os sofás simbolizam repouso. A madrepérola é a opalescência dos fenômenos quando são observados pelo Iniciado (compara-se o simbolismo do Arco-Íris). Note-se que os hóspedes estão no jardim, não na taverna. Isto pode significar que eles passaram além do estágio em que o ato é único a um estágio tal como descrito nos vv. 8 e 9. Os homens tolos: veja-se Cap. III, v. 57. O barulho é um símbolo de distração e falta de harmonia. Está 'escondido deles' - uma frase mais enfática do que 'não é ouvido por eles'.
14. Apenas o taverneiro teme que o favor do rei lhe seja retirado.
14. O taverneiro é o Guardião dos Mistérios, e o rei a autoridade pela qual as vidas dos homens são governadas. É o dever do taverneiro não só proteger os hóspedes da malícia dos Irmãos Negros, mas também impedir que essa malícia profane o sacramento. (Levi tem uma passagem sobre este ponto. Ele diz que quando o arcano foi divulgado na época da Revolução Francesa, tornou-se impossível pô-lo em prática. Os adeptos consequentemente brigaram entre si, e o resultado foi caos. Nós não devemos supor que isto seja apenas mera parte do assunto do voto de sigilo. Nem implica em dizer que a publicação dos métodos de consecução leva ao desastre. Foi simplesmente o quarto poder da Esfinge que, de algum modo, foi perdido.)
14. Parece estranho que o
Magister, em meio à sua raptura, com as palavras de seu Anjo ainda lhe
soando nos ouvidos, não encontrasse algo menos incôngruo a replicar. A
dificuldade é explicada facilmente. Por um lado, seu êxtase é inefável.
Por outro, é perfeito, de forma que não pode falar dele. Em terceiro
lugar, ele percebe que parte do preço de sua consecução é a sua
responsabilidade como Guardião dos Mistérios. Ele portanto chama a
atenção do Anjo para aquilo que poderíamos descrever como a situação
política.
11-14. Agora fala o Adepto, ou antes, fala o Mestre do Templo.
15. Assim falou o Magister V.V.V.V.V. a Adonai seu Deus, enquanto eles brincavam juntos à luz das estrelas de encontro à profunda poça negra que está no Lugar Santo da Casa Santa sob o Altar do Santíssimo.
15. As circunstâncias do diálogo são cuidadosamente explicadas. Ele é o Mestre do Templo, V.V.V.V.V., não o mero Adepto que simplesmente conseguir união. O Anjo é ainda mais especificamente identificado com o símbolo de Adonai. Eles estão brincando juntos, isto é, em comunhão consciente; à luz da estrelas, isto é, na presença de Nuit; e o lugar onde se encontram é a 'profunda poça negra' simbólica de Binah, a esfera do sofrimento da Maternidade, o lugar de concepção e a habitação da Compreensão. O lugar santo é as três primeiras Shphiroth, isto é, acima do Abismo. A casa santa é a Árvore da Vida. E o Altar do santíssimo é Kether.
16. Mas Adonai riu, e brincou mais lânguido.
16. Adonai replica à passagem vv. 11-14 simplesmente mudando o ritmo de sua música para uma medida mais lânguida. Desta forma ele indica que não há razão para pressa ou ansiedade.
17. Então o escriba tomou nota, e alegrou-se. Mas Adonai não tinha medo do Mago e seu brinquedo.
Pois foi Adonai quem ensinou ao Mago todos os seus truques.
17. O escriba é o ser humano consciente encarregado de anunciar estes assuntos; ele compreende que tudo está bem. O Mago é o Ato I, Mayan (ver Cap. II v. 58 e as referências em Liber 418). O Anjo não receia que as forças da ilusão possam jamais interferir com a Grande Obra. Ele é, em si mesmo, Macroprosopus. Esta frase necessita explicação. Exatamente com um homem aspira ao Conhecido e Conversação do seu S.A.G. e o consegue, assim também o Anjo aspira à "ultimal unidade demonstrada"; pois sua posição é o Caminho de Gimel. Em sua consecução, portanto, ele atingiu Kether, de que sai não somente o seu próprio Caminho de Gimel (levando a Tiphereth) mas também aquele de Beth (levando a Binah). Para compreendermos bem a completa natureza de binah, nós devemos manter este ponto em mente. O Sofrimento relacionado com a idéia desta Sephira deve-se ao fato que ela é o recipiente da ilusão original. Não existe sofrimento na outra corrente, o Caminho de Daleth, através do qual o senhor dela comunica sua essência. (Nota de M.: O "senhor" de Binah é Chokmah.)
18. E o Magister entrou no jogo do Mago. Quando o Mago ria, ele ria; tudo como deve um homem fazer.
18. O Magister, cuja habitação é Binah, agora usa a ilusão mesma como um meio de prazer. Ele procede naturalmente, como uma criança, sem receio de que possa haver alguma significação sinistra nas operações da Natureza.
19. E Adonai disse: Tu estás enredado na teia do Mago. Isto Ele disse sutilmente, para prová-lo.
19. Par aprová-lo, o Anjo sugere que o prazer dele na ilusão é idêntico ao prazer do profano.
20. Mas o Magister deu o sinal do Magistério e riu-Lhe: Ó senhor, Ó bem-amado, relaxaram-se estes dedos nos anéis dos Teus cabelo, ou desviaram-se estes olhos do Teu olho?
20. O Magister replica que, se bem que aparentemente usufruindo as coisas boas da vida (por assim dizer), ele nunca por um instante esqueceu que está usufruindo o amor do seu Anjo, nem por perda de concentração sobre o olho (símbolo de visão, de energia criadora, de unidade, etc. Veja-se também o 'Olho de Horus') de seu amante, ele caiu do cume do seu Samadhi. O Magister é assim mostrado como perfeitamente iniciado; ele abraçou deliberadamente a terrível ilusão que é a fonte de todo sofrimento, e a tornou parte integral da Grande Obra. Não havendo outra direção de onde infortúnio o possa tocar, desde que ele é protegido pelos Guardiões do Abismo da interferência dos Caminhos de Zain e Cheth, ele está de agora em diante imune.
21. E Adonai deleitou-se extremamente nele.
15-21. A peculiaridade acima mencionada do diálogo prévio é o assunto de parte desta passagem. De modo geral, ela discute a questão das relações entre certos poderes da Natureza.
22. Sim, Ó meu mestre, tu és o amado do Bem-Amado; a Ave Bennu não está posta em Philae em vão.
22. A Ave Bennu refere-se aqui às correntes e sub-correntes iniciadas pela A.'. A.'. aproximadamente cada 600 anos, isto é, duas vezes no curso de cada Aeon.
-X-1900 Aiwass TO ME-A OPHION
15-1600 Dee e Kellym Christian Rosencreutz, Luther, Paracelsus 1490-1541.
1300 Jacobus Burgundus Molensis
9-1000
6- 700 Mohammed
3- 400
0 Apolônio de Tiana
BX 300 Gautama Buddha
Nota: Escala de Tempo - imagens resolvidas dilatada apresentação. Pernas de cavalos de corrida. 'n' é uma série de 'm' acontecimentos, nenhum dos quais sugere 'n'. Cf. grifos de A, soletração de palavras, etc. Portanto não é medida da realidade (LXV I, 32 e seg.).
Philae é uma ilha do Nilo, agora submergida pelo industrialismo, famosa por seu Templo de Ahathoor.
Em Liber VII, vii, 27, a Ave Bennu é definitivamente identificada com a Fenix - ou Set o Asno Selvagem - através do simbolismo da Baqueta de Segundo Adepto do Adeptus Minor da R.R. et A.C.
O texto afirma a Missão de TO ME(xx)A OPHION 666 9º = 2º A.'. A.'. como Logos do Aeon. Quem fala parece ser o escriba, isto é, o indivíduo Aleister Crowley através do qual estas energias 666 etc. se manifestam. Ele se regozija na Consecução do Conhecimento e Conversação do S.A.G.
O resto deste capítulo trata em grande parte da relação deste escriba com o Adepto e o Anjo que coroam a sua personalidade. Os versos seguintes descrevem o Equinócio dos Deuses e a Consecução do c.&C. do S.A.G. Eles indicam o efeito de tais acontecimentos sobre o indivíduo; pois este capítulo refere-se ao Elemento Fogo, o Deus de Tetragrammaton, isto é, a essência da personalidade do homem em questão que homem. O C.&C. do S.A.G. representa a descida do Elemento Espírito no ser desse homem, de acordo com a fórmula regular da formação do Pentagrama IHShVH de IHVH. A dificuldade principal de interpretação está na complicação introduzida pelo Equinócio dos Deuses.
22-27 descreve este Evento*.o
28-29 descreve o estado do escriba.
30-32 descreve a preparação do escriba para a sua Consecução.
33-37 descreve o umbral da Iniciação dele.
38-41 descreve a Iniciação mesma.
42-44 descreve a Compreensão dada por essa Iniciação das relações necessárias entre o Espírito e a Matéria.
45-53 descreve os resultados da Iniciação.
54-56 liga a Consecução do Equinócio dos Deuses.
57-60 responde a pergunta assim proposta.
61-65 uma profecia quanto ao futuro do escriba, as circunstâncias em que ele chegará à Perfeição de sua Consecução.
23. Eu que fui a sacerdotiza de Ahathoor regozijo-me no vosso amor. Ergue-te, Ó Deus-Nilo, e devora o lugar santo da Vaca do Céu! Que o leite das estrelas seja bebido por Sebek o habitante do Nilo!
23. O escriba se recorda de sua encarnação como uma sacerdotiza de Ahathoor, deusa do Amor e da Beleza. Ele chama as forças do Nilo de Sebek, o crocodilo que ali vive. Elas devem terminar com o regime da Mãe (Aeon de Isis).
24. Levanta-Te, Ó serpente Apep, Tu és Adonai o bem-amado! Tu és meu querido e meu senhor, e Teu veneno é mais doce que os beijos de Isis a mão dos Deuses!
24. Apofis substitui Isis.
25. Pois Tu és Ele! Sim Tu engulirás Asi e Asar e os filhos de Ptah. Tu vomitarás uma enxurrada de veneno para destruir os trabalhos do Mago. Somente o Destruidor Te devorará; Tu lhe enegrecerás a garganta, onde seu espírito habita. Ah, serpente Apep, mas Eu Te amo!
25. AIWASS (identificado com o S.A.G. de Aleister Crowley) destruirá as fórmulas de Isis e Osiris (Aeon do Deus Sacrificado). Não existe Aeon de Apofis; Sua função é sempre destruir. Agora o Destruidor devorará a Destruição mesma. Há aqui uma referência à lenda de Shiva, que bebeu o veneno formado pelo batimento do 'Leite das Estrelas' ou manifestação da Existência Fenomenal. Sua garganta fica negra (ou azul índigo) como resultado. Aiwass assim virou Apofis contra si próprio, para abrir caminho ao Aeon de Horus, a Criança Coroada e Conquistadora. Apep é amado; isto é, desaparece em êxtase à carícia de Aiwass, a 'pujante serpente' do verso 26 (a garganta é o local do Elemento do Espírito - o Akasha habita no Cakkram Visuddhi). O significado é que a fórmula dada por Aiwass destrói a idéia da Destruição como tal. O que até agora era chamado 'Morte', o método da ressurreição da Fórmula de Osiris IAO, deve ser compreendido de agora em diante como 'amor sob vontade'.
26. Meu Deus! Que Tua presa secreta penetre até o tutano do ossinho secreto que eu guardei para o Dia da Vingança de HoorRa. Que Kheph-Ra zumba com seus élitros! que os chacais de Dia e Noite uivem na imensidão do Tempo! que as Torres do Universo tremam, e os guardiões fujam correndo! Pois meu Senhor revelou-Se como uma serpente pujante, e meu coração é o sangue do Seu corpo.
26. Este Dia de Vingança é o Aeon de Horus - começando com o Equinócio de Primavera (L.N.) de 1904 e.v. (Note-se CCXX, iii, 3 e ALASTOR o Vingador). O 'ossinho secreto' é encontrado no Fálo do Urso (Hebreu (xx)=6. Isto é um fato de anatomia. A natureza deste animal - que é de grande importância na Alquimia - pode ser estudada no Asch Metzareph. O Urso é simbólico de parte de TO ME(xx)A OPHION 666 de acordo com a descrição d'Ele dada no Apocalipse:
"Eu
vi uma besta levantar-se do mar, tendo sete cabeças e dez chifres, e
sobre os seus chifres dez coroas, e sobre as suas cabeças o nome de
blasfêmia.
"E a besta que eu vi era como um leopardo, e seus pés
eram como os pés de um urso, e sua boca como a boca de um leão: e o
dragão deu-lhe o seu poder e seu trono com grande autoridade.
"E eu vi uma das suas cabeças como que ferida de morte; e esta ferida
mortal foi curada: e a terra inteira maravilhou-se da besta.
"E eles adoraram o dragão que deu poder à besta; e eles adoraram a
besta, dizendo: Quem é como a besta? Quem pode fazer-lhe guerra?
"E foi foi-lhe dada uma boca dizendo grandes coisas e blasfêmias; e foi-lhe dado poder para continuar durante 42 meses.
"E ele abriu sua boca em blasfêmia contra Deus, para blasfemar seu nome, e seu tabernáculo, e aqueles que estão no céu.
"E foi-lhe dado poder para fazer guerra aos santos, e conquistá-los; e
foi-lhe dado poder sobre todas as raças e linguagens e nações. E todos
que vivem sobre a terra o adorarão, cujos nomes não estão escritos no
livro de vida do cordeiro morto desde a fundação do mundo.
"Se alguém tiver ouvidos, que ouça. Aquele que leva ao cativeiro cairá
em cativeiro; aquele que mata com a espada deverá ser morto com a
espada. Eis aqui a paciência e a fé dos santos.
"E eu vi outra besta subindo da terra: e ele tinha dois chifres como um carneiro, e falava como um dragão.
"E ele exerce todo o poder da primeira besta antes dele, e faz com que
a terra e todos que ali habitam adorem a primeira besta, cuja ferida
mortal foi curada.
"E ele faz grandes maravilhas, e faz com que o fogo caia do céu à terra à vista dos homens.
"E ele engana aqueles que vivem sobre a terra com estes milagres que
ele tem poder de fazer à vista da besta; dizendo àqueles que vivem na
terra que eles devem fazer uma imagem da besta, que foi ferida pela
espada, e no entanto viveu.
"E ele tinha poder para dar vida à imagem da besta, para que a imagem
da besta pudesse falar e pudesse matar todos que não adoram a imagem da
besta.
"E ele faz com que todos, tanto os poderosos quanto os humildes, tanto
os ricos quanto os pobres, tanto os livres quanto os escravos, recebam
uma marca na mão direita, ou na testa.
"E nenhum homem venderá ou comprará, a não ser que ele tenha a marca,
ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Que
aquele que tem compreensão conte o número da besta; pois é o número de
um homem; e seu número é Seiscentos e sessenta e seis." (Apocalipse,
Cap. XIII).
Este
osso é consequentemente a Quintessência e Individualidade do
Inconsciente de Aleister Crowley; ele tendo conservado a sua
personalidade humana para servir como Instrumento do Logos deste Aeon.
Ele agora requer que 'a presa' (dente - Shin - Espírito) de seu Anjo
penetre ao mais íntimo do seu ser. Khephra, o Escaravelho Sagrado, é o
Sol da meia-noite. Ele aparece no Ato XVIII (A Lua Minguante, referido
a Pisces no Zodíaco) ao pé do hieróglifo, em uma poça (o firmamento de
Nadir). Acima disto está um caminho levando por entre duas montanhas
coroadas por torres. Isto tudo sob a Lua Minguante, simbólica de ilusão
e glamour, ao contrário da Lua no Caminho de Gimel, simbólica de
pureza, aspiração, etc., onde vai o S.A.G. O Ato XVIII é guardado por dois cães ou chacais simbólicos de Anubis, o
Guardião do Umbral (veja-se v. 34). O significado deste verso é
portanto que Aiwass (revelado como uma 'serpente pujante') destruiu o
princípio de ilusão. Em particular, a crença do homem de que ele é
imortal (Osiris) deve dar lugar à consciência de que ele á a Criança
Coroada e COnquistadora (Horus). Meu 'coração' - isto é, a vontade e
consciência humanas de Aleister Crowley - é identificado com a essência
da vida, de Aiwass (o sangue do Seu corpo que é usado por Ele como a
base física de Sua manifestação em CCXX).
27. Eu sou como uma cortesã de Corinto doente de amor. Eu brinquei com reis e capitães, e fiz deles meus escravos. Hoje eu sou a escrava da viborazinha da morte; e quem desatará nosso amor?
27. Aleister Crowley abandonou todas as suas ambições pessoais para 'morrer' à carícia de Aiwass em Sua função como seu S.A.G. (A 'viborazinha' Microcósmica, em contraste com a 'pujante serpente'
que é responsável pelo Evento Macrocósmico do Equinócio dos Deuses).
As imagens da cortesã amorosa e de Cleópatra indicam que o Nephesch ou
'alma animal' de Aleister Crowley está implicado neste assunto.
28. Cansado, cansado! diz o escriba, quem me levará à visão da Raptura de meu mestre?
28. O escriba confessa a completa prostração da sua consciência humana enquanto divorciada de comunhão com a raptura do Adepto ('meu mestre') que o controla.
29. O corpo está cansado e a alma cansadissima, e sono lhes pesa nas pálpedras; no entanto está sempre presente a certeira consciência do êxtase, desconhecido, entretanto conhecido em que sua existência é certa. Ó Senhor, sê minha ajuda, e traze-me à dita do Bem-Amado!
29. A 'alma' aqui significa o Nephesch. O escriba é sustentado, mesmo em sua fatiga consciente, pela certeza do seu 'Inconsciente' de que ele chegou à Consecução, a despeito do esquecimento deste fato por parte do consciente humano. Ele apela ao Anjo para que inunde a consciência humana com a 'dita do Bem-Amado', como já foi explicado neste Livro.
30. Eu cheguei à casa do Bem-Amado, e o vinho era como fogo que voa de asas verdes pelo mundo das águas.
30. Isto lhe é concedido; a consciência humana entra na Casa de Delícias do Adepto. O vinho de raptura espiritual, que o intoxica, é comparado ao 'fogo que voa' (Shin) com 'asas verdes' (Daleth, amor) 'através do mundo das águas' (Mem). Passagens prévias devem permitir que o Aspirante compreenda bem este simbolismo. ((xx) na Qabalah é 'O Nome' e 'O Céu' (xx) significa 'Poder Onipotente' ; e (xx) significa Sangue'. Estes símbolos assim explicam o texto em detalhe).
31. Eu senti os lábios rubros da natureza e os lábios negros da perfeição. Como irmãs elas me afagaram seu irmãozinho; elas me adornaram como noiva; elas me trouxeram ao Teu quarto de núpcias.
31. Natureza e Perfeição são Isis e Naphthys, as quais preparam Osiris (veja-se o Papiro de Ani e o Livro dos Mortos em geral) para a Iniciação. O Candidato é aqui representado como irmão delas (Aleister Crowley é o Vau de IHVH, 'o Filho', a consciência humana em Tiphereth - masculina), mas adornado como noiva, pois simbolicamente ele é feminino para com o seu S.A.G. ; ele é o Coração a ponto de receber o abraço da Serpente. (Veja-se Cap. III, vv. 49-50).
32. Elas fugiram à Tua vinda; eu fiquei só perante Ti.
32. O Ego é deprivado de seus atributos antes que possa receber o impacto do S.A.G. Deve ser o puro Ser Humano como indivíduo, independente de suas manifestações como tal, independente dos fenômenos de sua relação com seu ambiente.
33. Eu tremi à Tua vinda, Ó meu Deus, pois Teu mensageiro era mais terrível que a estrela-Morte.
33. O Ego percebe que o S.A.G. o aniquilará. Treme, e esse tremor de sua identidade é o sinal de sua entrega (compare-se o êxtase de medo de Amfortas no princípio de sua Curação; e veja-se o Capítulo II, vv. 60 e 62 e diversas outras passagens similares. A doutrina está em toda parte implícita; mas compare-se também Liber 418, o Décimo Quarto Aethyr, etc.d). Também, a mente incompreendida; pois enquanto o Ego humano existe, ele está circundado pela condições do seu ser/ e isto implica numa certa falsidade de apreensão, cuja raiz está na Ilusão de Separação mesma que torna possível a Idéia de um Ego.
34. No umbral quedou a fulminante figura do Mal, o Horror do vazio, com seus olhos fosforescentes como poços venenosos. Ele quedou, e o quarto corrompeu-se; o ar fedia. Ele era um velho peixe enrugado, mais horrendo que os cascões de Abaddon.
34. O umbral está diante da 'porta' ou pilone' de Daleth (Daleth significa porta; sua atribuição é Vênus, puro Amor, e seu Caminho é de Chokmah a Binah, a base do triângulo das Supernas. Esta 'porta' é assim em tudo um símbolo apropriado da entrada à Iniciação.) Portanto o 'umbral' está abaixo do Caminho de Daleth na Árvore da Vida; isto é, é o Abismo.
O simbolismo acima refere-se estritamente à Consecução do Mestre do Templo; mas sua verdade é refletida no tecnicamente correto relato da Iniciação do Dominus Liminis a Adeptus Minor. Aí a 'porta' é o terceiro Recíproco ou Transverso Caminho (Daleth é o primeiro), Pé, que significa boca - a porta dos órgãos da vida. Pé é letra do Ato XVI, a 'Casa de Deus' ou 'Torre Fulminada'. O Hieróglifo representa uma Torre - simbólica do Ego em seu aspecto fálico, porém encerrado, isto é, separado. Esta Torre é ferida pelo Relâmpago ou Raio da Iluminação, o impacto do S.A.G. e a Espada Flamejante da Energia que procede de Kether para Malkuth. Da torre são arremessadas duas figuras formando, pela sua atitude, a letra Ayn (xx); estes são os gêmeos (xx) (Horus e Harpócrates) nascidos da abertura do útero da Mãe (o segundo aspecto da Torre como uma 'fonte encerrada', uma 'fonte selada' ou 'murada'). Eles representam, com referência ao aspecto másculo da Torre, os espermatozóides (Ayn é Capricórnio, o signo em que está o Sol no Solstício de Inverno L.N., quando o Novo Ano começa) emitidos pelo impacto do Orgasmo (Relâmpago ou Raio) e é 'arruinado' pela perda da ereção.
No 'umbral', o Dominus Liminis é ameaçado pelos Caminhos de Nun, Samekh e Ayn, os Atos XIV, XV e XVI (Temperança ou Restrição, Morte e o Diabo), os quais surgem de Tiphereth, a morada de seu Anjo, para impedir a passagem dos profanos da Ordem Externa da A.'. D.'.
A diferença principal (em essência) entre as fórmulas das duas Iniciações, na R.R. et A.C. e na A.'. A.'. respectivamente, consiste em que o Adeptus Exemplus está completamente abaixo de Daleth se bem que ele cruzou o Segundo Caminho Recíproco Teth em seu progresso para se tornar Adeptus Exemptus, e não tem Caminho pelo qual possa viajar (a não ser Gimel, que leva de Tiphereth a Kether, não de Chesed a Binah, que é onde ele vai; isto é para conservar fora os profanos da Ordem Interna da R.R. et A.C.); enquanto que o Dominus Liminis já atravessou o Caminho de Pé para atingir o Grau de Philosophus, e o umbral está dentro, em vez de fora, do Pilone.
O significado disto é o seguinte:
Em cruzando o Abismo, o fito é aniquilar o Ego e suas faculdades por completo. Em simbologia cabalística: o fito é atingir a Zero. O perigo consiste portanto na identificação da consciência, ou 'ponto de vista', com qualquer dos produtos de desintegração.
Chorozon, portanto d(nome pelo qual nós designamos a idéia da dispersão), não tem lugar na Tríada Superna. O umbral de iniciação, o Abismo, jaz completamente abaixo da porta de Daleth. A complecção da desintegração, a impotência (xx) e preguiça (xx) são garantidas pela ausência do amor (Daleth), o qual de outra forma poderia enfeixar os eventos dissipados para formar uma unidade (Em Liber 418, Sétimo Aethyr, nós aprendemos que se os Irmãos Negros pudessem apenas contemplar a Deusa do Amor - Daleth - acima deles, eles poderiam ainda chegar à Compreensão (Binah).
Na iniciação a Adeptus Minor, as condições são completamente diversas. O fito é a consecução da unidade, não da negatividade, e não existe tal perfeição nas Sephireth do Ruach: Chesed, Geburah, Tiphereth, as quais compõem os Graus da Ordem Interna (R.R. et A.C.) como necessariamente excluindo Choronzon dos três Graus A.'. A.'. O estudante é aqui referido às Torres Elementais de Vigilância de Sir Edward Kelly (Veja-se o Equinócio I, volumes vii e viii). As quatro Tábuas Elementais (12 x 13) são ligadas pela pequena Tabuleta do Espírito (4 x 5), ou (quando as tábuas são arranjadas de forma a mostrá-las cada qual uma sub-seção da unidade de Tetragrammaton) por um cruz negra contendo as letras desta pequena Tabuleta do Espírito. Os nome de demônios malignos são notavelmente formados ao tomarmos algum símbolo imperfeito e desequilibrado das Torres de Vigilância, tal como um nome bilateral de debaixo da barra de Cruz de Calvário em qualquer dos ângulos Menores - e prefixando a letra apropriada da Cruz Negra.
A doutrina assim implicada é que a natureza do Espírito não é somente representada por Shin, o Espírito Santo, cuja descida ao meio de Tetragrammaton santifica e ilumina as forças cegas dos Elementos, mas também pela matéria desalmada, escura, informe e vazia, o mero fundo para a manifestação, indiferentemente, de todos os fenômenos; e esta verdade é também simbolizada pela escuridão e pela potencialidade não desenvolvida do Akasa, qual explicado pela lenda de Shiva mencionada em um parágrafo prévio.
O Elemento de Espírito pode portanto manifestar-se tanto com o S.A.G. quanto como a Persona Maléfica, o Morador do Umbral, descrito sensacionalisticamente para o público por Lord Bulwe-Lytton em seu romance Zanoni. Esta doutrina é também frequentemente encontrada em lendas folclóricas, onde o homem é representado como atendido por um gênio bom e por um gênio mau. O horror do gênio mau é intensificado pela sua função como alternativa do S.A.G. Nenhuma outra inteligência maligna pode se comparar com esta, seja por sua terrível asquerosidade subjetiva, seja pela sua hostilidade objetiva. Pois o gênio mau não é menos uma possibilidade de Consecução que o S.A.G. Agora, no caso do Adeptus Exemptus, se ele for repelido da Cidade das Pirâmides por falta de obediência perfeita à formula de 'amor sob vontade' ele permanece perdido no Abismo sem nenhuma possibilidade futura a não ser a de identificar-se sucessivamente com cada fenômeno incoerente e ininteligível que aparece no sensório do homem material, o qual foi desintegrado como primeiro efeito de sua operação, cuja essência é recusar sanção a toda e qualquer imperfeição que protesta 'ser'. Inteiramente diverso é o caso do Dominus Liminis, cuja operação, se mal sucedida, pode ser uma simples derrota, talvez devida a erro não muito sério dele mesmo. À parte um simples desencorajamento, ele deveria ser capaz de tentar novamente sem desvantagem; de fato, ele deveria usar sua derrota prévia como uma lição. Mas ele pode também falhar por não ter assimilado completamente a injunção do Hiereus na cerimônia da sua iniciação ao Grau de Neófito: 'O medo é fracasso, e o começo do fracasso. Sê tu portanto sem medo, pois no coração do covarde a virtude não habita!' Similarmente, ele pode ter sido incapaz de satisfazer a fórmula do Hierofante naquela cerimônia: 'Lembra-te de que Força Desequilibrada é maligna. Excesso de Misericórdia é fraqueza; excesso de Severidade é opressão.' Além disto, a fascinação do mal é às vezes tão perigosa quanto o medo. Em qualquer caso, ele pode esperar ser confrontado antes de mais nada pelo seu Gênio Mau (Veja-se, adiante, a cerimônia do Zelator na A.'. D.'.; a aparição dos Anjos Samael, Metatron e Sandalphon). Ele pode não resistir ao ataque. Ele pode ser repelido do umbral, e sua derrota pode ser mais ou menos prejudicial, de acordo com as circunstâncias. Mas seu medo pode ser tão grande que o induza a transformá-lo em fascinação, ou sua exaustão tão completa que ele esteja disposto a comprar a paz a qualquer preço. Em tal caso, o resultado pode ser que ele aceite sua Persona Maligna como seu S.A.G. Eu não gostaria de afirmar que mesmo uma tão pavorosa forma de fracasso é necessariamente fatal e definitiva, se bem que evidentemente deve sempre acarretar um Karma desastroso, envolvendo como envolve a asserção mágica, fortificada pelos juramentos mais solenes e selada pelo mais intenso êxtase da existência do mal absoluto (em certo senso da palavra; na realidade, para isto definida por ele mesmo); isto é, ele aquiesceu em dualidade, estabeleceu um conflito interno em si próprio, e cerimonialmente blasfemou e negou a unidade de sua própria Verdadeira Vontade.
Por arrasadora que seja uma tal catástrofe, no entanto não é nem pode ser final, pois que os princípios envolvidos não se estendem acima de Tiphereth. Ele se tornou um Mago Negro, sem dúvida; mas está longe ainda de ser um Irmão Negro. Não pode ser afirmado que um tal Mago Negro manifestará qualquer tendência a se tornar um Irmão Negro quando a ocasião chegar; pois sua união, mesmo com a personificação do Mal, é também um ato de amor sob vontade, se bem que essa vontade seja falsa e viciada por todos os erros e defeitos concebíveis. Seu principal perigo é presumivelmente que a intensidade do sofrimento que resulta de sua (xx) pode, como no caso de Glyndon em Zaneni, levá-lo a querer escapar por completo da magia, a abster-se de quaisquer atos de amor por medo de se afastar ainda mais do seu verdadeiro caminho. Que ele se lembre das palavras de meu irmão: 'Se o tolo persistisse em sua tolice, ele se tornaria sábio.' Que ele portanto persista resolutamente em iniquidade, invocando a vingança dos Deuses, para que ao fim o excesso do seu amor e a transcendência da sua angustia possam trazê-lo de volta ao caminho da verdade.
Do acima deve se tornar claro como é que o Gênio Mau está dentro do Santuário do Templo da Rosa Cruz, cuja fórmula é 'amor sob vontade', enquanto Choronzon é excluído igualmente desse templo e da Cidade das Pirâmides, cuja lei, se bem que ainda 'amor sob vontade', compreende ambos estes termos como sem limite.
O Gênio Mau é descrito agora. A linguagem, naturalmente, é simbólica. Ao mesmo tempo, a aparência dada aqui poderia perfeitamente corresponder de perto às expressões sensória da experiência.
Duas vezes nos é dito que ele "quedou", o que deve ser contrastado com a atividade de "ir" do S.A.G. (Veja-se vv. 37-41). É a característica peculiar de todo Deus que ele "vai". Por isto ele leva o Ankha, ou ataduras de sandália, nos monumentos egípcios. Esta antítese se contrasta com a concepção dos Irmãos Negros, fechados em si mesmos, ressentindo mudança. A concepção thelêmica do Universo é dinâmica, de forma que stasis é inevitavelmente o símbolo de conflito com a Natureza. É o equivalente de Morte; pois a Morte sendo uma mudança, é um evento, isto é, um fenômeno de atividade da vida. Esta doutrina deve ser cuidadosamente estudada em CCXX.
Que o estudante preste atenção, além disto, ao contraste entre os símbolos do S.A.G. e os do Gênio Mau. Os do Anjo (veja-se vv. 38-41) são positivos, ativos, sólidos, dinâmicos; de carruagens, cavaleiros, lanceiros; as armas de Júpiter e Pan são tremendamente vitais em suas mãos. Em contraste, o Gênio Mau é vago, irreal e inativo.
Suas características são o horror e o vazio. Seus olhos são fosforescentes (Nota de M.: ghastly no original inglês; O.M. comenta que toma a palavra em seu estrito senso original, relacionado com o alemão Geist - fantasma, cascão, ou sombra espectral. A fosforescência de matéria em decomposição, que causa o fogo-fátuo, é uma aproximação), e isto é particularmente repugnante, já que o sentido da visão é atribuído ao Fogo, e deveria ser agudo e luminoso. As atividades que ele controla são vagarosas, gosmentas e vermiculares. Seus olhos se asssemelham a poços de água venenosa, isto é, eles espreitam e recebem tão pouca luz quanto possível, quando o olho ideal deveria chamejar de luz. Ele faz com que o ar mesmo ao redor dele se torne estagnado e fedorento. Anatomicamente, ele se assemelha a um peixe, um habitante de sangue frio do elemento passivo (Note-se o peixe como símbolo aceitado de Jesus). Mesmo assim, ele é velho, vagaroso, enquanto que a virtude principal de um peixe é que desliza rapidamente. E ele é enrugado, oferecendo desnecessária resistência aos seus próprios movimentos, e aumentando sua fricção. Hediondo!
Cascões ou Qliphoth são excrementos sem vida; e Abaddon é o destruidor ou dispersor - o destruidor por dispersão.
35. Eles me envolveu com seus tentáculos demoníacos; sim, os oito medos se apossaram de mim.
35. Seu método de combate (distinto daqueles do Anjo, que ou transfixa com uma lança ou esmaga com um raio) é envolver com seus tentáculos demoníacos, e portanto ilusórios. Este método é restringir o Aspirante, sabendo muito bem que 'a palavra do Pecado é Restrição.' Ele consegue comunicar os 'oito medos', os quais estão relacionados com as oito cabeças do Dragão que Desce. (Veja-se, para este simbolismo, O Templo do Rei Salomão, Equinócio I, volumes i, ii e iii). Elas são as restrições da Tríada Superna tentadas pelas sete Sephiroth abaixo do Abismo e por Daath. Por isto, o Dragão que Desce é mostrado na Árvore da Vida abaixo do Abismo após a Queda, e no chão do Sepulcro de Christian Rosencreutz. No simbolismo mais antigo, as oito cabeças são as oito Reis do Edom.
36. Mas eu estava ungido com o mui-doce óleo do Magister; escorreguei no abraço como uma pedra da funda de um menino dos bosques.
36. O Aspirante está 'ungido com o mui-doce óleo do Magister'. O Magister pertencendo a binah, este óleo pode ser tomado como simbolizando seu Neschamah ou aspiração. Veja-se o relato do Óleo Santo dado no Livro 4, Parte II. (O Óleo Santo é a Aspiração do Magista; é aquilo que o consagra à busca da Grande Obra; e tal é a sua eficácia que consagra todo o mobiliário do Templo e os seus instrumentos. É também a graça do crisma, pois esta aspiração não é ambição; é a qualidade outrogada pelo alto... É a pura luz traduzida em termos de desejo.
Não é a Vontade do Magista, o desejo do mais baixo de atingir o mais alto; é a centelha do mais alto no Magista, que deseja unir o mais baixo a si. Também, a propriedade essencial de substâncias oleosas é diminuir a fricção e aumentar a facilidade de movimento. É portanto precisamente a réplica correta contra este tipo de ataque.
Ainda mais, o Aspirante se compara a uma pedra, o que se refere à pedra cúbica simbólica do Adeptado perfeito, sendo a perfeição quadrada e equilibrada da Maçonaria espiritual; é circundada por seis quadrados que significam proteção de Macroprosopus. Vede também o simbolismo da Pedra no Sohar, um assunto demasiado extensivo para que possamos fazer mais que esta referência aqui. Há, ainda mais, uma identificação da Pedra com o Falo Sagrado e com o Sol, tal como adorado no Templo de Diana em Éfeso e na palavra ABRASAX. Em nossos próprios Livros Santos, vede o Cap. V, vv. 6 e 58 deste Livro, e Liber VII, Cap. vi, v. 2 ('Nós nos construímos um templo de pedras na forma do Universo, mesmo tal como tu usaste abertamente e eu escondido'. Nesta última conexão, note-se a justaposição apropriada de pedras como simbólica da Grande Obra. Isto é encontrado também na Voz do Silêncio, onde esses que alcançaram a libertação se constróem a si mesmos num muro para proteger a humanidade. Vede também Liber VII, Cap. vii, v. 6 ('Nós sabemos porque tudo está escondido na pedra, dentro do caixão, dentro do grande sepulcro, e nós também respondemos Olalam! Imal! Tutulu! como está escrito no antigo livro').
Esta pedra é um projétil na 'funda do menino dos bosques', o qual pode ser tomado como representando a forma mais jovem e ativa de Pan; isto é, o aspirante se considera como que arremessado do infinito, e desligado de suas ataduras (compare-se Liber VII, Cap. vii, vv. 3-5), para que possa executar a Grande Obra.
37. Eu era liso e duro como o marfim; o horror não conseguir apoio. Então, ao ruído do vento da Tua vinda, ele foi dissolvido, e o absimo do grande vazio foi desdobrado diante de mim.
37. O aspirante é liso; suas qualidades
foram perfeitamente harmonizadas. Ele é duro, tendo tornado perfeita a
sua resitência a extrema pressão. A analogia é com margim. Marfim é a
substância do dente, a letra Shin do Espírito Santo e também da
substância do esqueleto sobre o qual seu ser está sendo construído. O
som Sh, além disto, representa o poder do silêncio, como também a
atividade e alerteza que acompanham a vontade de nos manifestarmos
através da nossa Verdadeira Vontade. Eu cito aqui uma passagem das
minhas notas originais sobre o significado intrínseco desta letra.: "S
é o sibilo da serpente, o sopro arremessado do alento através dos
dentes postos à mostra, porém fechados, o que é o sinal natural de
alarme, ódio, desafio, natural a um homem que depara com um seu
semelhante - outra aberração da macacada legítima. (Nota de M.: Ele
está se referindo ao homem primitivo; mas essa hostilidade atávica
subsiste na psique humana até hoje, e é a base de intolerância,
perseguição, etc. É claro que ele sabe disso; é bom que o estudante
também pondere sobre o assunto. Através deste gesto ele reconhece o seu
irmão, e no princípio, quando necessário, assim o nomeava. (Mais tarde,
quando não havia mais alarme, ainda temos 'Shh!', 'Psst!', não um apelo
à atenção de outros homens). Em S está esta idéia de medo e cólera,
também de ar, por causa do sopro mais apressado do alento. 'Tormenta'
combina estas idéias; assim, os primeiro S - deuses foram deuses da
tempestade.
"Mais tarde este alento, ar movendo-se no homem, podia
ser considerado uma prova de que o homem estava vivo; então esta
letra-alento, S, pode vir a significar 'vida'. Por exemplo, Deus sopra
sobre Adão para insuflar-lhe a 'alma vivente'; e Elias ressuscita um
menino respirando sobre ele. O Ruach Elohim, novamente, é um Alento que
paira sobre Cáos. Finalmente, encontramos um Espírito Santo
fertilizando através de um alento. E não era Maut, o Abutre-Mãe,
fertilizado pelo vento? Talvez também o chiado da chuva que fertiliza a
terra, qual até mesmo um selvagem deverá chegar a observar nas regiões
tropicais, onde o efeito segue a causa tão rapidamente, te-lo-ia
impelido à convenção de que S deve significar Vida. Essa chuva vem do
ar que ele respira, se bem que de além de sua pessoa; parece portanto
natural para ele o fazer Zeus ou Shu deuses da chuva e deuses da vida,
como também deuses do ar, deuses da tempestade, nomes para a intensa,
medrosa cólera que no princípio signif